PCdoB e PV mantêm apoio a João e federação racha na PB

Por Josival Pereira

Deu o esperado: os diretórios do PCdoB e do PV da Paraíba vão manter o apoio à candidatura do governador João Azevedo à reeleição. Não vão seguir algumas decisões da Executiva nacional da Federação Brasil da Esperança, formada pelos dois partidos citados e o PT.

É mais um problema para a campanha de Lula, que precisa de concentração de esforços na disputa, mas que tem enfrentado problemas de divergências localizadas, criados, sobretudo, pelos próprios petistas.

A decisão da Executiva da federação talvez não pudesse ser diferente. A deliberação sobre coligações nos Estados busca a unidade dos partidos aliados, mas existem nuances que exigem certa flexibilidade, especialmente quando as diferenças ocorrem entre forças que também apoiam Lula.

Na Paraíba, a decisão da federação é de coligação com o MDB e homologação da candidatura do senador Veneziano Vital do Rego a governador na disputa majoritária e de apresentar também uma chapa unificada para a disputa das eleições proporcionais.

Legalmente, se existe a federação, as chapas precisam ser formalmente chanceladas pela organização política resultante a união das três legendas. Disso PCdoB e PV não podem fugir.

O problema é que existem divergências política aparentemente instransponíveis no mesmo espectro político que dá sustentação à candidatura de Lula, considerada prioritária pelos petistas.

PCdoB e PV não apoiar o candidato apresentado pelo PT no Estado, mas apoiam a candidatura de Lula. As declarações dos dirigentes dessas duas legendas na Paraíba – Gregória Benário (PCdoB) e Dênis Soares (PV) – são taxativas. Soares segue um comando de pensamento histórico em sua atuação. Benário mostra uma reação até contundente tachando o ex-governador Ricardo Coutinho de “coronel vestido de petista”.

Agrava a questão a tonalidade das decisões comandadas pelo PT. Não são apenas de caráter legal. Parecem ter natureza política e o objetivo de imposição ou de atrapalhar o outro candidato, tratado como adversário, mas, curiosamente, integrante do partido que indica o candidato a vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o PSB, que se constitui no principal aliado do PT e de Lula na disputa nacional. Há problemas dessa feição em vários Estados do país.

Talvez o PT avalie que as legendas do campo democrático, consideradas de esquerda, não têm como se afastar da candidatura de Lula. Talvez seja verdade. Mas as ações políticas com viés autoritário geram sempre o risco de gerar atritos incontroláveis. O racha é quase inevitável. Essa fagulha daqui pode virar um incêndio.

Foto destaque: Gregória Benário, presidente do PCdoB na Paraíba

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