Escolha de Pollyanna pode virar grande sacada política

Por Josival Pereira

O governador João Azevedo teve dificuldades de compor sua chapa para a disputa das eleições de outubro, mas, pelo visto, dentro das circunstâncias, ou seja, sem um leque de opções maior, acabou acertando, com a escolha da deputada Pollyanna Dutra (PSB) para ser candidata a senadora.

Talvez valha repisar os problemas enfrentados pelo governador para melhor compreensão da solução arquitetada. As divergências entre forças aliadas consumiram quase um semestre do candidato socialista, desmanchando e adiando planos para formação da chapa.

Primeiro, o deputado Aguinaldo Ribeiro insinuava-se candidato a senador e João guardou a vaga para o Progressistas. Além dos Ribeiro, tinha a aliança com o prefeito Cícero Lucena.

Por causa disso perdeu o apoio do deputado Efraim Filho, que se lançou candidato a senador sem perspectiva de desistência. Foi-se também o União Brasil.

Sem perspectiva de emplacar o candidato a vice-governador (ou governadora) em razão das muitas forças aliadas disputando o mesmo espaço, o senador Veneziano Vital do Rêgo pois em marcha o seu desejo de ser o próprio candidato, conseguindo a aliança MDB-PT.

Depois, o Republicanos, reforçado com filiações de várias lideranças no Estado, entrou na confusão, querendo a vaga de vice-governador, mas apoiando Efraim noutra coligação, o que gerou atritos açodados com o deputado Aguinaldo Ribeiro.

A ocupação de espaços deixados por velhas lideranças e planos para 2026 aguçaram os conflitos e encolheram as alternativas do governador João Azevedo, que passou a ser acusado de não exercitar a liderança. A partir desse momento, as escolhas passaram a ser melindrosas.

O governador optou por entregar a vaga da vice-governador a Lucas Ribeiro, vice-prefeito de Campina Grande. Segurou a aliança com o Progressistas, pôs um campinense na chapa e confirmou o prefeito Cícero Lucena na campanha.

Houve articulações até a última hora para trazer Efraim Filho de volta. Envolvia todo o Republicanos e ainda ganharia tempo de propaganda e recursos do União Brasil. Não deu certo. Efraim teria usado as articulações como trunfo para atrair o apoio de Romero Rodrigues.

Cogitou-se o nome do vice-prefeito da Capital, Leo Bezerra, para a vaga de senador, mas houve restrições de Cícero. Pensou-se no nome da vice-governadora Lígia Feliciano, mas houve restrições da direção do PDT.

De repente, surge o nome da deputada Pollyanna Dutra, do próprio PSB. Ainda é muito cedo para conjecturas. Mas é possível que a última solução acabe sendo uma grande sacada.

A candidatura de Pollyanna pode impactar de cara em três grandes frentes eleitorais: universo das mulheres, que tem o maior contingente eleitoral; o campo progressista, incluindo o PT e o eleitorado lulista, já que a candidata foi petista e era amiga próxima de Lula; e o Sertão, impedindo que Efraim propague ser o único representante da região, sem falar ela pode inibir uma ação ostensiva do Republicanos em favor do candidato a senador do União Brasil.

Com Pollyanna, o governador João Azevedo talvez tenha conseguido montar a chapa mais amplamente representativa de conceitos importantes numa disputa eleitoral como a de governador: experiência (própria), juventude (Lucas) e o segmento feminino (Pollyanna).

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