Pesquisas: radicalização antecipa fixação de voto e dificulta mudanças

Por Josival Pereira

Muito se cria de expectativa a cada rodada de pesquisas sobre a possibilidade de mudança nos índices dos principais candidatos, mas os números acabam frustrando os torcedores dos principais times envolvidos na disputa presidencial.

Apesar de muita ação na tentativa de alterar o rumo da disputa, as pesquisas têm se repetido, como ocorreu com o último levantamento do instituto Datafolha, divulgado nesta quinta-feira. As três últimas pesquisas apresentam praticamente os mesmos gráficos, com variações muito leves.

Por que os índices não estão mudando?

Os cientistas e pesquisadores têm algumas explicações aceitáveis. Uma delas, bem plausível, é que a bipolarização entre Lula e Bolsonaro levou a um grau de acirramento tão elevado que catalisa o voto nas duas opções.

A pesquisa desta quinta-feira mostra que 71% já asseguram que estão totalmente definidos. E são basicamente os eleitores de Lula e Bolsonaro. Apenas 28% admitem mudar o voto.

Entre os eleitores de Lula, 79% estão totalmente decididos e 20% ainda admitem mudar de opção.

Entre os eleitores de Bolsonaro, o quadro é quase idêntico: 79% estão decididos e 21% ainda podem mudar o voto.

A possibilidade maior de mudança está no patamar mais abaixo. Entre os eleitores de Ciro Gomes, apenas 34% estão convictos da opção e 65% admitem mudar a escolha. Já entre os eleitores de Simone Tebet, 39% se dizem totalmente definidos e 59% podem mudar a opção.

Os eleitores mais convictos são os evangélicos (72% totalmente definidos), empresários (82%) e os que recebem o Auxílio Brasil (69%).

O que a pesquisa mostra é que a radicalização parece ter antecipação a fixação do voto, reduzindo bastante a margem de mudança. Com isso, os candidatos são obrigados a trabalhar numa faixa muito estreita de perspectiva de mudança. Alguns precisam acreditar em milagre.

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