Briga em CG: alianças meramente eleitoreiras não se sustentam

Por Josival Pereira

Dois grupos políticos de Campina Grande estão em pé de guerra. O prefeito Bruno Cunha Lima, ligado à família Cunha Lima, que praticamente mantém hegemonia no município nos últimos 30 anos, está exonerando aliados do vice-prefeito Lucas Ribeiro de cargos na Prefeitura, após o último ter sido anunciado candidato à vice-governador na chapa de João Azevedo.

A família Ribeiro mantinha aliança com Cunha Lima nos últimos anos, desde que Enivaldo Ribeiro, o avô de Bruno, aceitou ser candidato e virou vice-prefeito de Romero Rodrigues, em 2016. Nas eleições de 2020, Lucas virou vice-prefeito de Bruno.

Rompimentos entre governador e vice-governador, prefeito e vice-prefeito e entre grupos políticos na Paraíba não são novidades. Alguns entraram para a história pelo impacto político, como foi o caso do rompimento entre o governador José Maranhão e o ex-governador Ronaldo Cunha, ambos do então PMDB, em 1998. O episódio do Clube Campestre é famoso.

No formato da política que se pratica no Brasil e na Paraíba, difícil imaginar a manutenção da aliança entre Cunha Lima e Ribeiro em Campina Grande após o PP ter escolhido se unir ao governador João Azevedo para a disputa das eleições municipais. Ao exonerar os aliados do vice-prefeito Lucas Ribeiro, Bruno está apenas seguindo o tradicional roteiro da política local. Do outro lado, Lucas Ribeiro, certamente, tinha consciência de as exonerações ocorreriam. Normal para o que pratica por aqui e alhures.

Como analisar, então, mais esse episódio de rompimento na política paraibana?

Simples. É a revelação do atraso da cultura da política regional, guiada essencialmente por interesses pessoais ou grupais. A história tem demonstrado sobejamente que as alianças meramente eleitoreiras não se sustentam. Basta aparecer outra eleição que se impõem novos interesses, de ambos as partes, e, crec, os acordos se quebram.

Se as alianças fossem celebradas em torno dos interesses da cidade ou do Estado, interesses coletivos, em torno de projetos e programas de governo visando o desenvolvimento econômico-social, discutidos amplamente, de forma transparente, com o conhecimento do eleitor, haveria solidez e muito mais dificuldades de rompimento. Talvez nem houvessem.

Tristemente, a política brasileira se mantém sob o jugo do patrimonialismo, clientelismo e fisiologismo.

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