Por que Lucas Ribeiro é o vice de João

Por Josival Pereira

O governador João Azevedo (PSB), após receber a cúpula do PP, nesta terça-feira, confirmou o nome do vice-prefeito de Campina Grande, Lucas Ribeiro, como candidato a vice-governador. Lucas vem a ser filho da senadora Daniella e sobrinho do deputado Aguinaldo Ribeiro.

As eleições ainda não foram realizadas e não se sabe ainda o resultado das urnas, mas existe boa probabilidade de reeleição do governador, caso em que Lucas ascenderá à cúpula do poder político na Paraíba aos 33 anos de idade, que completará em 15 de agosto.

Estranha-se a ascensão do jovem Lucas, mas talvez não existam motivos para surpresa. Sua família é um ninho de políticos. O avô, Enivaldo Ribeiro, foi prefeito de Campina Grande e deputado federal por três vezes. O tio Aguinaldo, exerce o terceiro mandato na Câmara Federal, foi ministro de Estado e deputado estadual em duas legislaturas. A mãe, Daniella, é senadora, exerceu dois mandatos de deputada estadual e foi vereadora. A avó, Virgínia Velloso Borges, foi prefeita de Pilar, sem falar no bisavô, o latifundiário Agnaldo Veloso Borges, que, como 5º suplente, chegou assumir cadeira na Assembleia pra se proteger de acusações da morte de Pedro Teixeira. Lucas foi vereador e é vice-prefeito de Campina Grande.

Observe-se ainda que a família Ribeiro experimenta vigorosa ascensão política nas últimas duas décadas, desde quando Aguinaldo chegou à Assembleia (2002) e depois subiu para Brasília. Em apenas 10 anos, Daniella Ribeiro se elegeu duas vezes deputada estadual e conquistou o Senado.

Pode-se não gostar do estilo de Aguinaldo fazer política (crítica comum entre as lideranças do Estado); pode-se criticar o fato de a família ocupar muitos espaços na política (familismo), mas não se pode negar a habilidade nas articulações políticas e que os mandatos são conquistados legitimamente nas urnas.

A candidatura de Lucas a vice-governador talvez seja fruto dessa decantada, embora às vezes estranha, habilidade do deputado Aguinaldo Ribeiro fazer política. Era tido como candidato a senador, mas nunca assumiu nem fez nada de concreto para viabilizar a candidatura. Agora, não seria nada absurdo supor que ele nunca quis o Senado. Jogou até a última hora. Talvez quisesse que a irmã (Daniella) fosse candidatura ao Governo. Não deu, ficou com a vice. Pode ser o que queria.

Não deixa de ser um lance de esperteza diante do cenário de renovação geracional na política da Paraíba, com vários políticos mais jovens almejando chegar ao poder. Lucas, de uma geração depois da Hugo Mota e duas da Efraim Filho, pode chegar à boca do governo mais bem posicionado em 2026.

O partido Republicanos ajudou na ascensão de Lucas. Com o apoio a Efraim Morais para o Senado, criou embaraços para Aguinaldo Ribeiro, mas desdenhou da indicação para a vaga de vice, que lhe era oferecida. Alguns líderes começaram a falar com mais autoridade e talvez tenham sobressaltado o governador.  Perdeu a vaga. A política, algumas vezes, acaba sendo as circunstâncias.

Além do capital de vitórias políticas da família Ribeiro, Lucas Ribeiro tem a juventude a oferecer ao governador João Azevedo. Resta saber encaixar e aproveitar na campanha.

No geral, a política da Paraíba segue exatamente igual. Ou quase.

Adicionar comentário

PUBLICIDADE
Blog do Josival Pereira © 2022 . Todos os direitos reservados.