O Brasil e a Paraíba precisam se livrar do controle do Centrão

Por Josival Pereira

A polarização na disputa pelo cargo maior do Executivo – a Presidência da República – tem permitido que as eleições parlamentares não sejam debatidas como deveriam.

Entre candidatos a deputado federal e estadual, pelo menos no Nordeste, há uma convicção de que o eleitor seleciona os candidatos a cargos do Executivo (presidente, governador e prefeito) para escolhas mais conscientes e os candidatos ao Legislativo para troca de favores.

Os candidatos ao Legislativo sucumbiram a essa realidade. Os eleitores não cultivam boa impressão de deputados e põem o voto à venda. Os candidatos ao Parlamento, por sua vez, aceitam o mercado eleitoral.

Existem diversas formas para a compra de voto, mas uma das mais comuns, depois que a legislação eleitoral se tornou mais rigorosa, é a da aquisição de currais eleitorais, através da liberação de emendas impositivas, e agora emendas secretas do relator, para amarrar prefeitos, que concluem o negócio na ponta.

O problema é que Congresso nacional está se tornando uma vergonha. O Centrão, formado por vários partidos de direita e de centro desde o processo de elaboração da Constituição (1987/87), com frequência, sequestra presidentes da República e, agora, usurparam o orçamento. Além disso, dois presidentes já foram cassados por impeachment por não disporem de maioria parlamentar.

As notícias mais recentes são estarrecedoras. Os chefes do Congresso manipulam R$15 bilhões em emendas sem transparência (serão R$19 bilhões em 2023 e podem ser impositivas). Nesta última semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, teria mantado uma sala secreta para liberar as emendas PIX, liberadas sem projetos e sem controle. A votação da PEC dos Combustíveis (PEC do Desespero) é revelação mais eloquente de que o Centrão não respeita a Constituição nem as leis constituídas e que está sempre disposto a estuprar o país, como vem fazendo.

O futuro do Brasil será uma grande incógnita se no Congresso que emergir das urnas em 2022 o Centrão tiver a mesma força que na atual legislatura. Na Carta Capital da semana passada, o cientista político e ex-ministro Roberto Amaral faz um relato dos males causados por essas forças que dominam o Congresso e adverte para o perigo que o país vive se as forças mais progressistas não cuidarem de renovar o Congresso.

Na Paraíba, 75% pertence ao Centrão

A Paraíba talvez tenha uma das bancadas mais conservadoras da história. Na Câmara dos Deputados, 75% da representação estadual integram partidos do Centrão. São os casos de Wellington Roberto (PL), Efraim Filho e Julian Lemos (União Brasil), além de Damião Feliciano recém filiado ao partido; Hugo Motta, Wilson Santiago e Edna Henrique (Republicanos), Aguinaldo Ribeiro (PP) e Ruy Carneiro (PSL).

O deputado Pedro Cunha Lima, não se alinha totalmente, mas vota em muitos projetos guiados pelo Centrão.

Apenas os deputados Frei Anastácio (PT) e Gervásio Filho (PSB) não integram nem votam com o Centrão.

Esse quadro precisa mudar.

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