E se a prisão do ex-ministro da Educação for boa para a campanha de Bolsonaro?

Por Josival Pereira

E se a prisão do ex-ministro da Educação, o reverendo Milton Ribeiro, for positiva para a campanha do presidente Jair Bolsonaro? A hipótese é complexa e, com certeza, muito polêmica, mas está na praça.

Se duas ou três mentiras e algumas ameaças dos coronéis mais poderosos influenciavam e decidiam uma eleição no passado, agora as campanhas modernas são guiadas e determinadas por estratégias sofisticadas. Talvez seja o caso.

A questão de base é a seguinte: quais os temas que podem influenciar mais os eleitores na atual campanha eleitoral para presidente do Brasil?

A campanha passada, em 2018, a corrupção e pauta de costumes foram avassaladoramente decisivas. E agora?

Analistas de esquerda, direita, centro, jornalistas, cientistas políticos, em sua maioria, avaliam, desde ontem, com a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro e pastores que cobravam propinas para liberar dinheiro da educação para prefeitos, vai afundar a campanha de reeleição de Bolsonaro.

É verdade que causa um profundo abalo e pode comprometer de vez os planos de reeleição de Bolsonaro. Afinal, a investigação sobre corrupção no Ministério da Educação, somada a outros casos, praticamente deita na lama uma das pilastras do presidente, a de que não havia corrupção no governo. Pode ser desastroso. Pode.

A questão é que o tema corrupção às vezes não entra como fator decisivo nas campanhas eleitorais. Depende da conjuntura. No Brasil, por exemplo, a inflação, o aumento da fome, o preço dos combustíveis, o caos na saúde e a percepção de que o presidente Bolsonaro não tem aptidão administrativa, além de sua total falta de afeição ao ser humano e à democracia, parecem ser os temas mais explosivos.

Assim, neste contexto, o tema corrupção pode não ser o pior para Bolsonaro. Basta ver que, desde a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, a crise envolvendo o preço dos combustíveis e a Petrobras saiu do ar. A imprensa mudou totalmente de assunto, deu trégua a Bolsonaro, que parecia profundamente sufocado.

Estudos profundos têm revelado que, de tanto se falar em corrupção, o eleitor brasileiro tem amolecido a indignação sobre o tema. A percepção é a de que “todos roubam”. Sendo assim, vota em corrupto, escolhe o menos pior para a ocasião. A professora Nara Pavão, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), batizou o fenômeno de cinismo político. Parece adequado.

O Instituto Locomotiva já fez um estudo sobre os temas que podem impactar na atual campanha e descobriu que a questão da corrupção não teria força para alterar nada. Por isso, há quem entenda que Bolsonaro pode perder menos se conseguisse fazer o debate girar sobre o tema corrupção. Viraria a campanha do sujo contra o mal lavado e os verdadeiros problemas do país iriam para o segundo plano.

Registre-se que se trata apenas uma hipótese. Nunca se sabe qual o peso que prisão de um ex-ministro pode ter numa campanha. Em regra, é muito ruim. A verdade é que Bolsonaro tem mais um problemão, mas vai fazer de tudo para usá-lo em seu favor.

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