Clãs familiares: 6 filhos ou netos de ex-governadores disputam o governo em Estados do Nordeste

Por Josival Pereira

As eleições de outubro no Brasil podem ficar marcadas pela volta de clãs familiares ao comando do poder em vários Estados.

Levantamento da Folhapress, divulgado em vários veículos de comunicação neste domingo, revela que pelo menos 18 candidatos a governador no país são filhos, netos ou sobrinhos de políticos tradicionais.

Há um detalhe curioso no levantamento: 15 dos candidatos disputam pela primeira vez eleições para governador. Os rebentos, em grande parte, tentam reaver o poder perdido nas eleições de 2018, quando a avalanche Bolsonaro ajudou a derrotar velhos senhores do poder.

O fenômeno das candidaturas de filhos e netos de ex-governadores se apresenta mais forte no Nordeste. São seis casos, com dois na Paraíba.

Os herdeiros de antigas feudos políticos são ACM Neto (União), na Bahia, neto do ex-governador Antônio Carlos Magalhães, de quem carrega até o apelido na forma das iniciais no nome. Em Pernambuco, Marília Arraes (Solidariedade), neta do ex-governador Miguel Arraes, e Raquel Lyra (PSDB), filha do ex-governador João Lyra Neto. Em Alagoas, Rui Palmeiras (PSD), filho do ex-governador Guilherme Palmeiras.

Na Paraíba, o levantamento registra as candidaturas do deputado Pedro Cunha (PSDB), filho do ex-governador Cássio Cunha Lima e neto do ex-governador Ronaldo Cunha Lima, e do senador Veneziano Vital do Rego (MDB), neto do ex-governador Pedro Gondim.

Existem outros registros de candidatos de clãs familiares de chamar a atenção. O candidato Miguel Coelho (União), em Pernambuco, não é filho nem neto de ex-governador, mas sua família já ocupou 13 vezes o poder na Prefeitura de Petrolina e elegeu senadores, deputados federais e deputados estaduais. No Rio Grande do Norte, o deputado federal Valter Alves (MDB), filho do ex-governador Garibaldi Alves, é candidato a vice-governador na chapa da governadora Fátima e tenta resgatar o poder estadual ocupado pela família em diversas oportunidades. O ex-presidente Color de Melo é novamente candidato a governador em Alagoas, entre outros casos de velhas oligarquias tentando retomar o poder.

O que essa situação significa?

O cientista político Elton Gomes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), entende o fenômeno como a configuração do “patronato político brasileiro”. Outros falam que se trata da perpetuação do clientelismo na política nacional e regional.

As duas definições são muito pertinentes, mas talvez caiba também uma máxima popular, vez por outra proferida por sertanejos arreliados: as cangalhas às vezes mudam, mas os burrinhos são sempre os mesmos. Quem são os burrinhos? Tome eleitor nisso!

Nota: a foto destaca foi capturado do Jusbrasil.

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