Colômbia: esquerda vence mais uma na América do Sul

Por Josival Pereira

As eleições presidenciais na Colômbia, realizadas neste domingo (2º turno), apresentaram um resultado que, até bem pouco, poderia ser considerado quase impossível. Venceu a esquerda e o novo presidente será um ex-guerrilheiro do grupo M-19, Gustavo Petro (com 99,77% de votos apurados, Gustavo Petro chegou aos 50,49% dos votos e o populista Rodolfo Hernandez tem 47,26%).

A vitória de Petro não é pequena. Nunca a esquerda havia vencido uma eleição na Colômbia. O mesmo grupo de direita governa o país há 20 anos. A guerrilha comandada pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), durante 50 anos, criou um ambiente muito hostil à esquerda.

O economista Gustavo Petro era senador em segundo mandato a vence a terceira disputa da qual participa para a presidência da República. Já foi também deputado estadual e prefeito de Bogotá.

Um detalhe interessante nas eleições da Colômbia é que os partidos de direita e de centro-direita, que dividiam o poder há mais de 20 anos, ficaram de fora do segundo turno, como tem ocorrido em outras eleições mundo afora.

A disputa se deu entre o esquerdista Gustavo Petro e o populista (direita mais radical), Rodolfo Hernandez, empresário da construção civil multimilionário, que fez sua campanha praticamente na plataforma digital Tik ToK. Nos últimos dias da campanha no primeiro turno, subiu vertiginosamente e ultrapassou o candidato das forças de direita.

Discute-se muito se, historicamente, estaria havendo uma guinada à esquerda na América do Sul. As eleições da Colômbia não são suficientes para responder a uma questão tão complexa, mas é de se anotar que, depois da vitória de Bolsonaro, em 2018, no Brasil, a esquerda tem levado vantagem nas disputas na região.

Venceu na Argentina, em 2019, com Alberto Fernandez; na Bolívia, em 2020, com Luís Arce; no Peru e no Chile, em 2021, com Pedro Castillo e Gabriel Boric, respectivamente; mantém o poder na Guiana, com Irfaan Ali, e, agora, vence na Colômbia. Pela direita, Mário Benitez (Paraguai) e Bolsonaro (Brasil), venceram em 2018; Luís Lacalle Pou (Uruguai) venceu em 2019, e Guillermo Lasso (Equador) ganhou a eleição em 2020.  A direita também mantém o poder no Suriname.

O placar ainda é apertado, mas, verificando-se os resultados sequentes nos últimos anos e essa inesperada vitória na Colômbia, talvez não seja fora de tom se afirmar que existe uma inclinação para esquerda na América do Sul. A eleição no Brasil será grande balizadora.

Foto/destaque: Gustavo Petro com vice-presidente eleita, Francia Márquez.

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