Aliados bastante complicados

Por Josival Pereira

Quando se imaginava que, com a definição do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP), na última quarta-feira, o cenário para definição da chapa do governador João Azevedo se encaminharia para um período de baixaria, eis que as coisas se complicaram.

Desde então, líderes dos partidos Republicanos e Progressistas trocam acusações abertamente nas emissoras de rádios, blogs e portais. Até o governador João Azevedo foi chamado para a roda do debate um tanto obtuso.

O Republicanos, que não atendeu apelos para largar o apoio à candidatura de Efraim Morais (União) a senador, por este estar aliado ao candidato Pedro Cunha Lima, da oposição, reagiu ao anúncio de Aguinaldo de que o PP agora indicaria o candidato a vice-governador.

Em nota, o Republicanos reclamou de ter tomado conhecimento da decisão pela imprensa e exigiu participar do processo de formação da chapa. Antes, havia um entendimento tácito que, com Aguinaldo sendo candidato a senador, a vaga de vice seria do Republicanos.

Como o Republicanos se negava apoiar Aguinaldo, o que talvez fosse mais lógico, o parlamentar do PP armou um contragolpe, desistindo da candidatura ao Senado e combinando com o governador a indicação do candidato a vice.

Assim, sobraria o Senado para o Republicanos que, para aceitar a indicação para a vaga, teria que romper com Efraim ou atraí-lo novamente para o esquema governista.

Nas entrevistas, Aguinaldo tem responsabilizado o Republicanos por toda confusão. Parece mais moderado, mas não deixa de dizer que não faz sentido o Republicanos apoiar João para governador e Efraim, de outro esquema na disputa, para o Senado.

O presidente da Assembleia, Adriano Galdino, do Republicanos, está pegando mais pesado com Aguinaldo, chegando a tratá-lo como traidor, lembrando o episódio da votação do impeachment de Dilma Rousseff outros de eleições na Paraíba.

O deputado Hugo Motta, presidente do Republicanos, acusou o governador de ter fixação pelo Progressistas. João disse que a nota do Republicanos teria sido infeliz.

Existem ataques muitos de lado a lado, já quase fora de controle. É um jogo bruto que o governador não sabe ou não quer jogar. Tudo por interesses pessoais ou grupais. O governo em si não parece interessar. Aguinaldo quer uma vaga segura na chapa. O Republicanos quer uma vaga na chapa do governador e tentar eleger o senador de outra chapa, sem falar nas vagas de deputado federais que quer conquistar com o apoio de Efraim.

Outros aliados do governador, que acabaram rompendo, também tinham motivações pessoais, a exemplo do próprio Efraim Filho, que se lançou candidato a senador afirmando, de cara, que não tinha acordo para retirar a pretensão.

Resta a verdade é que o governador tem alguns aliados bastante complicados, todos profissionais da política. Se quiser ser candidato com chances de se reeleger, vai precisar administrar os interesses em jogo. Urgente.

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