Aguinaldo e a arte de embromar

Josival Pereira

Tome-se a definição de embromar na internet mesmo. Serve. Dá para entender o significado mais usual, popular. “Usar de artifícios para adiar a realização de um negócio, a realização de uma incumbência etc., enrolar, remanchar”, entre outras definições.

Casa bem com as atitudes do deputado Aguinaldo Ribeiro, presidente estadual do Progressistas (PP), nos últimos meses na política da Paraíba, sem que aqui esteja inserida qualquer conotação pejorativa. Trata-se apenas do retrato do rosário de acontecimentos.

Primeiro, reivindicou-se a vaga de candidato a senador na chapa do governador João Azevedo. É verdade que o próprio Aguinaldo nunca se lançou candidato, mas todos os aliados o tinham como pré-candidato. Ele próprio se inseriu, sim, quando reivindicou publicamente a unidade dos aliados do governador em torno da chapa completa. Se referia ao Republicanos, onde seus principais líderes haviam aderido à pré-candidatura de Efraim Filho (União).

Noutro momento, Aguinaldo começou a se esquivar e aparecer meio arredio ao processo. Surgiram, então, especulações sobre a possibilidade de lançamento da candidatura da irmã, a senadora Daniella Ribeiro (PSD), ao governo do Estado. Parecia uma forma de pressionar o esquema governista para definir o apoio ao Progressistas.

Agora, mais recentemente, Aguinaldo passou a dar sinais de que teria aceito se lançar candidato a senador. Era o que dizia o prefeito Cícero Lucena, correligionário do mesmo partido. Foi o que disse a senadora Daniella Ribeiro na última sexta-feira, na abertura de um evento na Câmara Municipal. Outros aliados reforçaram a perspectiva.

Enfim, Aguinaldo convoca a imprensa, rompe o ministério e anuncia que é apenas candidato a deputado federal, acrescentando, porém, a aliança do PP com o governador João Azevedo com a indicação do candidato a vice-governador.

Nos salões da casa de eventos Versalhes, em João Pessoa, o anúncio gerou frustração. Ouviu-se muita lamentação pela quebra de expectativa. Mas alguns festejaram: inteligente, não arrisca, grande articulador, joga bem, surpreende sempre, deu um nó nos Republicanos, vai chegar ao governo mais cedo”. Um outro lado também se manifestou nos bastidores: “enrolou todo mundo, ludibriou a imprensa, deu um golpe em Cícero e no governador”. Não há unanimidade na avaliação da decisão.

Talvez não existam razões para surpresas. Aguinaldo agiu sendo Aguinaldo. Analisa os políticos friamente e só entra em campanha sem risco. Sua candidatura ao Senado não gerava unidade. O foco da unidade agora é a chapa de governador. Talvez faça sentido.

Seja como for, ficou a sensação de que Aguinaldo exacerbou no embromation.

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