Sonhos triturados: TRE-SP rejeita domicílio eleitoral de Moro

Por Josival Pereira

O sistema de poder estabelecido acaba de impor mais um revés ao ex-juiz Sérgio Moro, que um dia sonhou desmantelar o sistema de corrupção implantado no interior das instituições públicas nacionais.

A última derrota é uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) anulando o processo de transferência de domicílio eleitoral de Moro do Paraná para a Capital paulista, onde o juiz da Lava Jato pretendia ser candidato a um cargo eletivo pelo o União Brasil.

Lógico que a Justiça Eleitoral de São Paulo não agiu em comunhão ou por orientação do sistema de corrupção para inviabilizar a candidatura de Moro. A impugnação da transferência se deu pela dificuldade de o juiz provar o domicílio eleitoral em São Paulo. Ele apresentou como documentação um contrato locação de um apartamento de hotel nos últimos meses, agendas de trabalho e outros documentos que comprovariam sua permanência na Capital paulista. Os documentos foram aceitos na Zona Eleitoral, mas recusados no TRE.

O problema é que os projetos de Moro desde o momento em que ele deixou a magistratura não deram certo. Foi ministro de Bolsonaro imaginando ser candidato a vice-presidente ou ministro do STF, mas teve o projeto barrado pelo Palácio do Planalto.

Ao perceber que a liderança de Moro poderia superar a sua, Bolsonaro o isola e cria problemas até forçar a demissão.

A partir de então, Moro planejou ser candidato a presidente. Todavia, começou a ter dificuldades para conseguir partidos políticos para se filiar. Tanto dentro do governo como nessa fase, o sistema de corrupção agiu deliberadamente para atrapalhar os passos de Moro.

Mesmo aparecendo em terceiro lugar nas pesquisas e tendo se filiado ao Podemos com pompas, Bolsonaro viu seu projeto minguar. Faltaram aliados e o projeto de ser candidato no Podemos se estreitou.

Inexperiente, Bolsonaro se deixou encantar pelo União Brasil e, ao se filiar num grande partido, viu o presidente da legenda, Luciano Bivar, fechar todas as possibilidades de candidatura à presidência. O próprio Bivar é hoje um falso candidato.

Restavam a possibilidade de ser candidato a senador ou a deputado federal por São Paulo. Agora, sem domicílio eleitoral, todas as portas políticas estão fechadas em São Paulo, embora ainda caiba recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A candidatura no Paraná é mais difícil. O espaço para disputar vaga na Câmara Federal com o apoio dos defensores da Lava Jato já está preenchido com postulação do ex-procurador Deltan Dallagnol e não será fácil encontrar esquema para ser candidato a senador.

A realidade de agora é que a Lava Jato foi esmagada, a corrupção volta a funcionar desassombradamente e os sonhos de Moro acabaram triturados pelo sistema político.

O maestro Tom Jobim estava prenhe de razão: o Brasil não é para principiantes (amadores).

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