Em relação à Paraíba, o PT optou pela democracia vertical

Por Josival Pereira

Seguindo a regra da política na Paraíba, uma decisão da direção nacional do PT, emitida no fim de semana, assinada pela presidente Gleisi Hoffmann, acabou em polêmica.

Dois questionamentos: o primeiro sobre a natureza da “recomposição” do diretório estadual e o outro ainda sobre a extensão da aliança com o MDB do senador Veneziano Vital do Rego.

Um vídeo do ex-presidente Lula confirmando a intenção da aliança, que ele fala em “construção”, talvez não enseje mais questionamentos. O ex-presidente Lula e a direção nacional do PT trabalham para formar composição com o MDB e apresentar Veneziano como candidato a governador. Já são três as manifestações diretas de Lula neste sentido.

O problema vai residir em como o PT vai administrar a relação com candidatura do governador João Azevedo à reeleição, sendo ele um aliado e filiado ao partido que vai apresentar o vice de Lula, no caso o ex-governador Geraldo Alckmin.

Além da Paraíba, o PT tem dois problemas semelhantes para administrar: São Paulo e Rio Grande do Sul, onde o PSB também dispõe de candidatos a governador. Não resta dúvidas, porém, que a cúpula nacional petista trabalha para ter Veneziano como candidato na Paraíba.

Na campanha, muito provavelmente, Lula e a direção nacional do PT vão recomendar moderação e que o PSB seja tratado também como aliado. Dificilmente, porém, as recomendações serão seguidas à risca. Quase impossível evitar dores de cabeça.

Sobre a chamada “recomposição” do diretório estadual, chame-se do que quiser, porém, nem todos os eufemismos vão apagar as marcas de intervenção.

Pelas vias normais, uma recomposição significaria apenas a substituição de nomes que, por algum motivo, deixaram ou seriam obrigados a deixar o diretório estadual. Alterar a composição sem a convocação de instâncias coletivas se constitui em intervenção.

Não há muitas novidades na decisão da direção nacional do PT. Há tempos o partido abandonou a prática plenamente democrática de respeito às decisões das instâncias partidárias em nome da priorização da campanha de Lula à presidência.

Um dos trechos da nota divulgada pela direção nacional chega a anotar que o grupo dissidente afastado pela direção nacional “começa a organizar um movimento externo para influenciar nas decisões da direção estadual”. Assim, a “recomposição” se revela preventiva e temor de que o grupo que defende a aliança com o MDB não seja majoritário.

Noutro trecho, a direção nacional avoca pra si não apenas decisões sobre candidaturas majoritárias, mas também sobre as chapas proporcionais. Cada candidato terá quer ser aprovado em Brasília. Ou seja, não sobra nada para a instância local do partido. A democracia partidária, no caso, é de natureza vertical, de cima pra baixo. Nada diferente de qualquer outro partido nacional.

Nova composição

De acordo com a tabela divulgada pela direção nacional do PT para “recomposição” das instâncias do partido na Paraíba, as correntes que se aliaram ao ex-governador Ricardo Coutinho vão ficar com 28 votos no diretório estadual contra 18 das demais correntes e com 10 votos contra 7 na Executiva estadual. Ricardo deverá participar ou indicar aliados através das correntes CNB (Construindo um Novo Brasil), de Jackson Macedo, e Resistência Socialista, de Luís Couto.

Nota nossa

Escapamos da covid-19, mas uma dengue acabou nos derrubando. Por isso estivemos ausentes nos últimos dias. Nossas desculpas.

Adicionar comentário

PUBLICIDADE
Blog do Josival Pereira © 2022 . Todos os direitos reservados.