Pesquisas começam revelar que economia e crise podem fazer a cabeça do eleitor

Por Josival Pereira

As muitas pesquisas eleitorais divulgadas não revelam apenas as intenções de voto para as eleições de outubro. Embora a maioria das preferências já pareçam cristalizadas entre o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro, talvez nem se possa tomar o quadro como definitivo e mudanças ainda podem ocorrer.

O mais interessante, porém, é que leituras mais atentas e pormenorizadas das pesquisas começam a revelar o ânimo que o eleitor brasileiro deverá levar para as urnas, os elementos que estarão formando a cabeça do eleitor no momento de apertar a tecla do equipamento eletrônico que vai captar o voto.

É certo que o clima de disputa ideológica do bem contra o mal, uma espécie de confronto entre torcidas de dois times rivais, atua para entorpecer a consciência de parte do eleitorado de lado a lado, mas talvez a realidade acabe impondo um certo nível de consciência política mais crítico nas eleições deste ano.

Existem sinais claros dessa tendência nalguns números dessa pesquisa divulgada nesta segunda-feira, contratada pelo banco PTG Pactual e realizada pela FSB.

Os brasileiros já não escondem o desânimo em relação à economia: 62% não veem o futuro do Brasil com entusiasmo e acham que o país terá dificuldades para superar a crise.

Além disso, 60% afirmam que “a vida está muito apertada pela inflação/custo de vida”. Na sequência, revelam uma lista escalonada das principais causas: pelas dívidas (39%), pelo desemprego (38%) por ter contas atrasadas (32%). Observe-se que 71% confessam endividamento, um quadro de quebradeira quase generalizada e de situação que gera inquietação.

Bastam estes poucos itens da pesquisa PTG/FSB para não se ter dúvida de que a situação econômica nacional e as condições sociais do eleitorado serão decisivas nas eleições de outubro, apesar dos esforços dos principais candidatos de transformar a campanha numa briga de gangues, para desviar a atenção dos problemas do país.

Ah! Tem mais uma notícia ruim para alguns candidatos: 40% dos eleitores disseram que já sabem conhecer quando recebem uma notícia falsa. Assim, de repente, pode não parecer nada, mas especialistas avaliam que se trata de um índice capaz de mudar a dinâmica que funcionou na campanha eleitoral passada.

A esperança que esses poucos números transmitem é que a maioria dos eleitores não vai deixar se chafurdar pelos desavergonhados políticos nacionais. Não são todos, mas são muitos.

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