Pesquisa aponta que 33% dos eleitores brasileiros já se consideram de direita

Por Josival Pereira

Analistas políticos de todos os matizes têm dedicado algum esforço para tentar explicar a melhora nos índices do presidente Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais nos últimos dois ou três meses, passando ali dos 26% para os 30% ou 32%, conforme os diferentes institutos de pesquisa, reduzindo a diferença para o ex-presidente Lula a menos de dois dígitos.

No geral, atribui-se a reação de Bolsonaro aos efeitos do programa Auxílio Brasil e outros benefícios sociais, à mudança de postura do presidente em relação à pandemia, mantendo certo silêncio sobre vacinação e tratamento precoce; às muitas viagens pelo interior do Brasil, à presença constante nas redes sociais e, por outro lado, a falas de Lula sobre temas melindrosos, como o aborto e controle da imprensa.

Esses são os fatos mais visíveis dispostos sobre o tabuleiro da política nacional. Podem ajudar na melhoria da imagem de qualquer gestor. Todavia, existem dúvidas sobre os efeitos desses fatores nas pesquisas atuais, especialmente porque existem outros, mais graves, a agir contra a imagem do presidente, a exemplo da inflação, que corrói os ganhos das medidas sociais, e as muitas denúncias de possível esquema de corrupção no Ministério da Educação, além das esquisitas compras de Viagra, próteses penianas e lubrificantes íntimos pelas Forças Armadas.

O que, então, tem contribuído efetivamente para a reação do presidente Bolsonaro nas pesquisas?

Uma pesquisa do PoderData, realizada entre 10 e 12 de abril últimos, talvez tenha identificado a melhor resposta para a evolução de Bolsonaro nas pesquisas de opinião: o brasileiro está se assumindo ideologicamente, com inclinação mais forte à direita.

O levantamento mostra que 1 em cada 3 eleitores no Brasil se considera de direita, ou seja, 33%. Há 8 meses eram 24%. O percentual é equivalente aos índices de Bolsonaro.

Os brasileiros que se consideram de esquerda são 23% (eram 24%), de centro são 17% (eram 25%) e 27% permanecem sem se definir ou sem saber se manifestar sobre o assunto.

O eleitorado de centro tende a votar em Lula (46%). Bolsonaro tem a intenção de voto de 16% desse segmento.  Ocorre que o centro representa apenas 17% do eleitorado, o que, em larga medida, equilibra o painel ideológico nacional, prometendo uma disputa bastante acirrada.

A pesquisa sugere que o eleitorado do centro político e aqueles que não sabem em que campo político podem definir o resultado das eleições.

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