Centro e ultradireita polarizam na França e podem influenciar outras eleições

Por Josival Pereira

A França realizou o primeiro turno de suas eleições presidenciais neste domingo com a participação de 12 candidatos. Os resultados oferecem material para muitas reflexões e estudos sobre o futuro da democracia no mundo, embora talvez seja preciso esperar pelo segundo turno para conclusões mais definitivas.

Merece atenção, logo de cara, o fato de ter se repetido o quadro do segundo turno das eleições de 2017, com o centrista e atual presidente Emmanuel Macron, do partido A República em Marcha, e a ultradireitista Marine Le Pen, do Agrupamento Nacional.

A observação que se faz interessante é que a polarização não ocorre entre esquerda e direita, mas entre um movimento de centro e o de extrema direita, que atua na política francesa há mais de 50 e chega ao segundo turno das eleições presidenciais pela terceira vez.

Com uma dúzia de candidatos, a votação acabou bastante dividida. Macron ficou com 27,8%, Le Pen com 23,1% (4,7 pontos de diferença) e o esquerdista radical Jean-Luc Mélenchon, do partido França Insubmissa, com 22%. Embora as pesquisas dos últimos dias apresentassem a perspectiva de Le Pen chegar à frente do presidente ou um tanto mais próximo, o resultado acabou um pouco melhor para Macron.

As urnas foram terríveis para com os dois partidos tradicionais franceses e que, historicamente, dividiram o poder no período da chama 5ª República, inaugurada com Charles de Gaulle, em 1958. A candidata do partido A República (direita), Valérie Pécresse obteve apenas 4,8% e candidata do Partido Socialista (esquerda) Anne Hidalgo obteve 1,8% dos votos. A maioria dos analistas avalia que esses dois ex-grandes partidos não se recuperam mais.

A disputa presidencial na França contava com outro candidato de extrema direita, Éric Zemmour, que obteve 7,1% da votação. Zammour se lançou pela razão que, de acordo com as análises, tem feito Marine Le Pen se tornar simpática e ameaçar vencer as eleições. Ela mudou o programa de governo e abandonou as propostas mais tradicionais da direita radical e dissimulou outras. As pesquisas de antes do pleito neste domingo também apontam para uma disputa acirrada no segundo turno, a ser realizado em duas semanas.

Mesmo assim, já nesta segunda-feira praticamente todos os partidos de esquerda, de centro e de direita já manifestaram apoio a Macron, pregando o voto útil para derrotar a ultradireita. Falam em salvar a democracia e a União Europeia.

Voltando o olhar para o Brasil, com base nas eleições francesas, é possível antever a direita liderada por Bolsonaro amenizando o discurso para tentar atrair eleitores de centro, assim como a esquerda deverá se deslocar cada vez mais ao centro e à direita para tentar suavizar suas propostas, ambos buscando fugir dos extremos. É possível também antever a formação de duas grandes frentes no segundo turno e até o fracasso de velhos partidos políticos.

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