Por que Lula escolheu Alckmin como candidato a vice?

Josival Pereira

Por que Lula escolheu o ex-governador Geraldo Alckmin para ser seu companheiro de chapa como candidato a vice-presidente?

As respostas são múltiplas.

Uma das mais importantes, certamente, é o fator confiança. Depois de o emedebista Michel Temer, como vice-presidente, ter comandado o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff não dava para escolher qualquer um, especialmente do mundo da política.

Mas por que Lula foi buscar uma solução no mundo da política e não no mundo dos negócios como ocorreu em 2002, com o empresário José Alencar?

Aqui entram questões estratégicas tão melindrosas e importantes como o fator confiança.

Em 2002, a maior desconfiança em relação a Lula vinha do empresariado. Ele resolveu o problema com uma carta revelando suas intenções para com o mundo dos negócios e um empresário na chapa. Acalmou o mercado financeiro e venceu as eleições.

Boa parte do empresariado continua sem confiar em Lula, mas pesquisas e levantamentos revelam que não existe temor em relação a um novo governo comandado por ele. Há até quem diga que os empresários e o mercado financeiro, em particular, ganharam bem mais com Lula no governo.

Alckmin foi escolhido para resolver alguns problemas-chaves de Lula e resultados positivos parecem já terem sido entregues.

Um deles, primordial, vencer a desconfiança do mundo da política de que Lula estaria voltando para se vingar do impeachment. Com Alckmin ao lado, Lula envia mensagens de superação.

Outro, fundamental, é tentar impedir o discurso do bolsonarismo de que ele seria um comunista e um esquerdista radical, além de buscar aplacar o antipetismo nas regiões mais ricas. Parece que houve avanço nestes itens, tanto que Bolsonaro elegeu “o bem contra o mal” como slogan de campanha, tirando o foco de cima da pura ideologia e do partido.

Existe ainda a questão eleitoral. O Sudeste será essencial. Bolsonaro lidera no Centro-Oeste e no Sul. Lula lidera disparado no Nordeste e com alguma vantagem no Norte. As pesquisas indicam que Lula pode dividir bem no Rio e em Minas Gerais, mas não pode deixar Bolsonaro vencer com folga em São Paulo, onde e existe um forte antipetista no interior, território no qual Alckmin reinava bem.

Lógico que, com o ex-tucano, Lula tenta posicionar a campanha ao centro do espectro político, avaliando, com certeza, que o conservadorismo de direita liderado por Bolsonaro é muito forte e que precisa de uma aliança mais ampla para enfrentá-lo.

Ah! Mas Alckmin esculhambava Lula e era esculhambado pelo petista. Bolsonaro também esculhambava os políticos do Centrão e hoje vivem de braços dados. Este item talvez não tenha nenhum peso na campanha, que talvez gire sobre a economia e temas ideológicos.

 

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