Pacto de esquerda vence primárias e vira favorito para ganhar eleições na Colômbia

Por Josival Pereira

A Colômbia realizou suas eleições primárias ou consultas partidárias neste domingo.

O sistema é curioso: junta a realização de eleições legislativas (Câmara e Senado) com uma disputa de indicação de candidatos a presidente da República. Os três mais votados ganham o direito de formar suas alianças (coalizões) e disputar o cargo de presidente do país em dois turnos. O primeiro turno está marcado para o dia 29 de maio. 

O resultado das eleições indica claramente que a esquerda está prestes a vencer num dos principais redutos da direita na América Latina. A esquerda nunca venceu na Colômbia.

O candidato do Pacto Histórico, senador Gustavo Petro, ex-guerrilheiro do M19, obteve 4,4 milhões de votos e será o nome da coalizão de esquerda para concorrer à Presidência da República.

O segundo colocado foi o candidato da direita, Federico Gutiérrez, ex-prefeito de Medellín, com 2,1 milhões de votos.

O terceiro indicado nas eleições primárias é Sergio Fajardo, ex-governador da Antioquia e ex-prefeito de Medellín, candidato da coalizão Centro Esperança, que obteve 723 mil votos.

A grande diferença de votos de Petro sobre a soma dos dois outros candidatos (1.565 votos de maioria) torna o candidato da coalizão de esquerda em favorito nas eleições colombianas.

Senado

A coalizão de esquerda Pacto Histórico conquistou 16 cadeiras no Senado. A maior representação de esquerda no Senado havia sido de 7 senadores. O Partido Conservador também conquistou 16 cadeiras, o Partido Liberal Comlombiano ficou com 15, a Aliança Verde com 14 e o Partido Centro-Democrático, que mantém o poder na Colômbia nos últimos 20 anos, perdeu 23% de seus votos em relação ao pleito anterior e também ficou com 14 senadores.

Câmara dos Deputados

Para a Câmara dos Deputados, o Pacto Histórico elegeu 29 deputados, empatando com o Partido Conservador, mas foi o Partido Liberal que elegeu a maior bancada, com 32 parlamentares. O Partido Centro-Democrático conquistou 16 cadeiras na Câmara colombiana, o mesmo número de parlamentares conquistados pelo Partido Cambio Radical. 

Interessante

Além do sistema de eleições primárias ou consultadas partidárias para a escolha de três candidatos finais à Presidência da República (haviam 12 candidatos), as alianças ou coalizões na Colômbia já trazem a definição ideológica em seus nomes, uma maneira de se apresentar com mais clareza e não enganar o eleitor.

Sinais

As eleições primárias na Colômbia mantém o indicativo de avanço das esquerdas na América Latina. Desde 2019, a direita só venceu eleições no Uruguai e no Equador.

Outro detalhe é que, nos últimos anos, as oposições (de esquerda ou de direita) venceram 11 de 12 eleições realizadas. A exceção foi a Nicarágua, onde Daniel Ortega se manteve no poder sob a acusação de ter mandado prender todos os opositores que lideravam pesquisas eleitorais.

São três as eleições previstas para este ano na América Latina: a Costa Rica está vivendo o segundo turno da campanha e a eleição ocorrerá dia 3 de abril (ex-presidente José Figueres, de centro esquerda, lidera a disputa), a Colômbia realiza o primeiro turno no dia 29 de maio e o Brasil realiza suas eleições em outubro.

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