PSB desiste de federação e deixa brecha para Veneziano ser candidato em coligação MDB-PT

Por Josival Pereira

Uma decisão anunciada nesta quarta-feira, em Brasília, pela direção nacional do PSB (Partido Socialista Brasileiro), pode produzir efeitos no processo de formação de chapas para a disputa eleitoral na Paraíba, criando problemas para o governador João Azevedo, o candidato socialista à reeleição. 

Após longa reunião com dirigentes do PT, PV e PCdoB, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, anunciou que o partido não pretende, no momento, formar federação com as outras agremiações de esquerda. 

Numa nota conjunta, os quatros partidos anunciaram que o PSB vai estar na aliança que vai apresentar a candidatura de Lula à presidência da República, mas não na federação, que reunirá PT, PV e PCdoB. A nota informa que o diálogo para possível participação do PSB na federação continua, mas avalia-se, em Brasília, que é difícil um acordo.

Contraditoriamente, o PSB já tem acordo fechado com o PT para indicar o ex-governador Geraldo Alckmin como candidato a vice de Lula, que, pessoalmente, escolheu o ex-tucano como companheiro de chapa. Então, é certo, conforme a legislação, que será celebrada uma coligação entre os dois partidos para a disputa das eleições majoritárias.

Não existe acordo para constituição da federação por causa de divergências em relação aos critérios de direção da organização formada pelos quatro partidos e divergências sobre a disputa para governador em alguns Estados. Em São Paulo, o PT tem Fernando Haddad e  o PSB tem Márcio França; no Espírito Santo, o governador Renato Casagrande não quer aliança com o PT, que lançou o senador Fabiano Contarato, e haveria também problemas no Rio Grande do Sul e na Paraíba. 

O prefeito de Recife, João Campos, também se posiciona contra a federação por causa de um problema futuro com a namorada, a deputada Tabata Amaral, que deseja ser candidata a prefeita em São Paulo em 2024 e, dificilmente, o PT abriria mão da vaga.

O problema é que a federação vincula a aliança nacionalmente e por quatro anos. As coligações majoritárias não vinculam, embora sejam estranhas as divisões dentro de uma mesma aliança.

Com o PSB fora da federação, o quadro que se abre na Paraíba é o mesmo de São Paulo: com dois candidatos a governador na aliança Lula-Alckmin. Lá, Márcio França (PSB) e Haddad (PT). Aqui, o MDB poderá fazer coligação com o PT e apresentar Veneziano como candidato. O PSB apresentará a candidatura do governador João Azevedo. No caso do PT, porém, tudo depende da decisão de Lula e da direção nacional. 

Ilustração: foto da reunião em Brasília

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