Insistência de João Azevedo em permanecer no Cidadania é teimosia perigosa

Por Josival Pereira

O que o governador João Azevedo ainda está esperando do Cidadania?

Essa é a pergunta que, certamente, todo o mundo político paraibano está se fazendo nos últimos dias e para a qual não existe resposta razoável.

Uma reunião realizada nesta terça-feira, em Brasília, para discutir propostas de formação de federação e, em consequência, de aliança para as eleições presidenciais, acabou revelando que o Cidadania, numa análise mais rigorosa, está marchando para a extinção e, portanto, é uma legenda sem muito futuro. Ou sem futuro mesmo.  

Como o Cidadania está marchando para a extinção?

O problema é que o partido está profundamente rachado. Talvez mais do que isso. Está irremediavelmente dividido. 

Basta verificar o placar das votações na Executiva Nacional. Na proposta para constituição de federação com o PSDB do governador João Dória, o placar foi 10 votos a favor e 10 contra, com uma abstenção. Na votação da proposta de federação com o Podemos do ex-juiz Sérgio Moro, o resultado foi 10 votos contra e 9 a favor. Noutra proposta, ainda apareceram 7 votos a favor de uma aliança com o PDT de Ciro Gomes. 

Existem 12 diretórios contrários à aproximação com o PSDB, encaminhamento defendido pelo presidente nacional da legenda, ex-senador Roberto Freire. E muitos desses diretórios regionais estão divididos internamente. O significado disso é que Freire perdeu o controle do partido que conduzia até com certa coesão há anos. A consequência natural dessa perda de controle é a esfacelação partidária. 

Observe-se que o Cidadania já não conseguiu ultrapassar a cláusula de desempenho nas eleições de 2020. Por isso, precisa de uma federação, uma vez que arriscar sozinho a disputa para a Câmara Federal, sem coligações, torna a tarefa de superar as barreiras legais (eleger no mínimo 11 deputados federais em pelo menos 9 Estados ou obter 2% dos votos válidos distribuídos em ⅓ das unidades da federação, com 1% em cada uma delas) é tarefa praticamente impossível para o porte do Cidadania na atual conjuntura. 

Ocorre que a federação, para um partido pequeno, é como morar de favor no quarto dos fundos de uma casa maior. Dificilmente, vai poder se expandir. É o Cidadania. 

Assim, a insistência do governador João Azevedo em permanecer no Cidadania soa como teimosia perigosa e sem sentido. Corre risco de perder articulações ou partidos mais consequentes. 

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