Eleições 2022: o que levou Romero a decidir, de repente, apoiar Pedro Cunha Lima?

Por Josival Pereira

O ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues decidiu abreviar sua agonia política: anunciou que vai apoiar a candidatura do deputado Pedro Cunha Lima a governador. 

O anúncio, através de vídeo nas redes sociais, foi meio anêmico. Romero não explicou nada. Não disse se, de fato, havia avançado em algum entendimento com o governador João Azevedo, nem apresentou as razões da decisão de continuar no grupo Cunha Lima. 

Tudo muito estranho: Romero nunca anunciou apoio ao governador, mas acabou obrigado a dizer que estava ficando onde, aparentemente, sempre esteve. Na novela de Dias Gomes, a viúva Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido. 

Seja como for, Romero estava vivendo, politicamente, uma situação meio incômoda. Em outubro, o ex-prefeito campinense comunicou oficialmente aos aliados ligados ao PSDB que não seria mais candidato a governador. Porém, pelo menos dois meses antes já se falava abertamente que ele não seria candidato. Mais: já se especulava sobre sua possível aproximação com o governador. 

A verdade é que Romero ficou cerca de seis meses em cima do muro depois de ter percebido que não dispunha de estrutura para ser candidato competitivo a governador. Flertou com o esquema do governo, mas parece que não chegou nem a “ficar”. Pelo visto, o convite oficial para ser candidato a vice-governador nunca chegou a ser formulado. Havia a probabilidade, mas nada de concreto. Dependendo de outros acontecimentos, o governador, por seu lado, também não se decidia.  

Mas o que houve agora para Romero decidir? O que foi a gota d’água?

Em 15 de dezembro, após conversa com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, Romero anunciou que seria candidato a deputado federal e, desde então, está em campo.

O problema é que, com o fim das coligações, a eleição para deputado federal ficou muito complicada. Para eleger um parlamentar na Paraíba será preciso alcançar cerca de 170 mil votos, que seria o quociente eleitoral. Pouquíssimos partidos conseguem. Precisam de muitos candidatos, coisa que Romero não tem no PSD. Mas pode ter no PSDB, que conta com Ruy Carneiro como candidato e diversos outros postulantes.  

Além disso, fora da base da família Cunha Lima, Romero teria muita dificuldade de obter uma grande votação em Campina Grande. 

A gota d’água da decisão parece ter sido essa: se quiser ser deputado federal, a melhor opção é ter o apoio dos Cunha Lima, especialmente do prefeito Bruno Cunha Lima, uma vez que no PSD talvez nem consiga formar chapa de federal.

Romero sai do muro, mas vai ficar uma questão em aberto: houve ou não houve alguma coisa entre ele e o governador João Azevedo?

Já se especula por aí que o governo se aproximou de Romero apenas com o fito de derrubar sua candidatura a governador, já que avaliava que o melhor seria ter Pedro Cunha Lima na disputa. Se é verdade, só a história vai revelar. 

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