Direção do PT não quer candidatura de inelegíveis

Por Josival Pereira

O ex-governador Ricardo Coutinho terá mais dificuldade de disputar as eleições de outubro do que se imagina. 

Além da inelegibilidade decretada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por conduta vedada e abuso de poder nas eleições de 2014 e a perspectiva de a Assembleia reprovar suas contas do exercício de 2015, o que também gera inelegibilidade, Ricardo deverá ter problemas internos no PT para aprovar sua candidatura a senador ou a deputado federal. 

O problema é que existe uma decisão da direção nacional do PT de não lançar candidaturas sub judice, ou seja, que tenham algum impedimento eleitoral. A razão é simples: o partido teria perdido oito cadeiras na Câmara Federal nas eleições de 2018 exatamente em função de os candidatos serem considerados inelegíveis e terem disputado amparados em recursos interpostos na Justiça Eleitoral. Com a anulação dos votos desses candidatos depois das eleições, o partido perdeu as vagas. 

O tema das candidaturas de postulantes considerados inelegíveis pela Justiça Eleitoral já frequentou reuniões da direção nacional do PT no segundo semestre e reuniões do ex-presidente Lula com lideranças regionais. 

O foco na disputa eleitoral para a Câmara Federal e o Senado é um dos objetivos do PT. A ideia é que o partido precisa voltar a eleger a maior bancada do Congresso para, em caso da eleição de Lula, garantir uma base sólida de apoio e reduzir a dependência das bancadas dos partidos tradicionais. 

Com essa perspectiva, o partido não pretende correr risco com candidaturas que possam ser impugnadas. No caso da disputa para o Senado, a situação é ainda mais melindrosa porque a Casa costuma eleger uma maioria de políticos conservadores. 

O mais provável, então, é que, se o ex-governador Ricardo Coutinho não apresentar uma solução jurídica segura e definitiva para seus problemas de inelegibilidade, a direção do PT o convide a desistir de sua postulação eleitoral em 2022.

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