Inflação de 2021 foi particularmente cruel com os mais pobres

Por Josival Pereira

Verificando-se os itens que pesaram para a inflação de 10,06% no Brasil em 2021, patamar registrado a última vez em 2015, percebe-se que a alta de preços foi particularmente cruel para com os mais pobres. 

O gás de cozinha teve elevação de preços de 36,99%; a conta de luz subiu 21,21%; o café moído ficou 50,24% mais caro; o açúcar refinado, 47,87%; o frango em pedaços, 29,85%; o frango inteiro subiu 19,89%; aves e ovos de uma maneira geral ficaram 23,55% mais caros; o preço da mandioca subiu 48,08%; o quilo do tomate ficou 18,6% mais caro; a cebola, 18,3%; o mamão, 36,01%, e a melancia, 25,53%. 

Esses são itens ilustrativos de que a inflação atingiu gravemente a vida dos mais pobres, sem falar na inflação dos combustíveis que também afeta o transporte dos trabalhadores e estudantes das camadas mais vulneráveis da população. 

A gasolina teve uma elevação de preços da ordem de 47,49%, o diesel subiu 21,21% e, inexplicavelmente, o etanol teve alta de preços de 62,23%. 

Como de praxe, desde que os números da inflação de 2001 começaram a se consolidar no patamar de dois dígitos, o governo desenvolve esforços para tratar o problema como um fato global, resultante da pandemia, numa tentativa de se isentar de culpa.

É verdade que a inflação se fez presente mundialmente, parte como consequência da pandemia, mas as maiores economias conseguiram segurar entre 5% e 7%, abaixo dos percentuais registrados no Brasil (10,06%), cujo centro da meta inflacionária era de 3,75%, ficando, portanto, fora de controle. 

Para o Banco Central, os problemas que geraram a inflação de dois dígitos são fenômenos mundiais (aumento das commodities por causa do aumento de consumo), naturais (escassez hídrica) e a pandemia. 

Os economistas, no entanto, apontam responsabilidades do governo em três dos cinco subgrupos que mais contribuíram para o retorno da inflação alta no país. Os combustíveis (alta de 49,02%) subiram muito por causa da política de preços da Petrobras e os especialistas avaliam que havia margem para intervenção do governo. No caso da energia, o governo gastou muito tempo negando a crise quando poderia ter agido para suavizar o impacto. Em relação aos alimentos, o governo permitiu a exportação dos principais produtos (carne, arroz, café, milho, soja) quando podia ter agido para garantir estoques reguladores. 

Vê-se, claramente, que não dá para dizer que o governo não tem culpa.

Ilustração: infomoney.com.br

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