Por que Alckmin avalia que PSD e MDB vão apoiar Lula já no primeiro turno?

Por Josival Pereira

A imprensa de São Paulo repercute, nesta terça-feira, uma avaliação do ex-governador Geraldo Alckmin segundo a qual a tendência é a de que PSD e MDB acabem apoiando a candidatura do ex-presidente Lula ainda no primeiro turno. 

Aliás, Alckmin chega a formular a previsão de que as candidaturas ditas de 3ª via não vão se estabelecer e, com isso, partidos que integram o bloco acabarão também derivando para o apoio a Lula.

Não se trata de nada absurdo. No primeiro caso, Alckmin se funda na perspectiva de fracasso das candidaturas de Rodrigo Pacheco (PSD) e Simone Tebet (MDB), que estão postas há algum tempo, mas não conseguem aparecer nas pesquisas. 

Como ele considera PSD e MDB partidos de centro, haveria, assim, uma maior probabilidade de adesão a Lula ainda no primeiro turno. Partidos de direita, que estão no bloco que tenta construir a 3ª via, têm mais dificuldades, mas não são impossíveis de se chegar a Lula, uma vez que a maioria faz oposição a Bolsonaro. 

É pertinente observar que as previsões são do nome mais cotado para ser o candidato a vice-presidente na chapa de Lula, e por iniciativa do próprio líder petista. A avaliação de Alckmin, neste contexto, por si só, permite supor que o ambiente em torno de Lula é o de buscar a ampliação das alianças para a disputa presidencial. 

Alckmin não faria defesa pública de aliança, ainda no primeiro turno, com PSD e MDB, se já não tivesse conversado com Lula sobre o assunto. Não seria nada estranho se supor que, depois das conversas que já teve com o petista, o ex-governador paulista não tenha recebido a missão de tentar atrair as legendas de centro para a frente liderada pelo PT.

A ideia que vai se descortinando é a de que Lula está disposto a construir uma ampla aliança entre as forças de esquerda, centro-esquerda e centro para vencer as eleições no primeiro turno. Carrega a lógica do pragmatismo: se vai se aliar num segundo turno, por que então se alia logo e evita os transtornos de uma campanha em dois tempos?

Esse rumo nacional que a campanha de Lula parece tomar só não se coaduna com as articulações do PT na Paraíba, que continua girando em torno do umbigo da esquerda.

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