Moro já passa a impressão de que seu projeto de candidatura é pra valer

Por Josival Pereira

Passados os eventos políticos e festivos, embora que  com rápido atraso, cabe a pergunta: qual o saldo da visita do ex-juiz Sérgio Moro, pré-candidato à presidência da República pelo Podemos, à Paraíba?

Uma observação inicial é que, pela forma que a visita foi embalada, pereceu que a incursão pela Paraíba foi uma espécie de laboratório, um experimento do que pode ser programado neste período entre janeiro e março quando se fecha o primeiro ciclo político do ano.

Tanto que a agenda principal anunciada era a comemoração do aniversário do deputado Julian Lemos. Ocorre, porém, que a agenda foi recheada com muitas entrevistas, um debate com empresários e alguns encontros com lideranças políticas e sociais. 

Tomada assim, a visita de Moro ao Estado foi muito maior do que o anunciado. 

As muitas entrevistas serviram para apresentar o Moro político, candidato em preparação ao cargo mais importante do país. Os encontros, pelo que se sabe, se constituíram em oportunidades de celebração de pré-promessas. A questão é que ainda  há desconfiança se a candidatura de Moro vinga ou não. Por isso, ainda existe timidez na aproximação. Moro parece sentir a barreira, mas vai fazendo sua parte de tentar romper o desconhecido, as dúvidas e a polarização já estabelecida. 

Diferentemente de seus adversários (Lula e Bolsonaro), Sérgio Moro não atrai pelo carisma imediato. Pelo que se viu, tenta construir o caminho da postura de equilíbrio, talvez concebida pela assessoria como a mais apropriada para se fazer alternativa no meio de tantos ataques pessoais, e base para a formatação da figura de estadista.

Apesar dos esforços e de certa evolução, Moro ainda tem cintura dura para o jogo da política, mas não é um simples aprendiz. Leva jeito e pode se soltar.  

Das entrevistas, ficaram um resumo do que serão as linhas de seu programa de governo:

Estado liberal em seus fundamentos econômicos, com compromisso social, sobretudo o de prover boa saúde, educação e segurança. No curto prazo, o crescimento teria como base a inovação, e a educação seria vetor de crescimento a longo prazo. 

A restauração da credibilidade do país, com a aprovação das reformas tributárias e administrativas, proporcionariam a redução de juros, alavancariam investimentos e resultariam na geração de empregos.

A Força Nacional de Combate à Pobreza seria uma agência encarregada de identificar as causas da pobreza no país e propor políticas públicas para sua erradicação através de ações mais definitivas, mas os programas de transferência de renda seriam mantidos. 

Moro sonha ainda com um pacto político pelo crescimento, prosperidade e modernidade do Brasil, com um combate à corrupção capaz de incrustar o conceito de integridade no país.

De sobra, talvez para o varejo da campanha, o candidato Sérgio Moro defende o fim dos privilégios na República, entre eles, o foro privilegiado, e o fim da reeleição. 

Essas linhas gerais de governo, certamente, ainda não significam  muita coisa, assim como talvez sejam ideias com dificuldade de brotar no solo infértil da polarização, mas não se pode negar que Moro está se esforçando para ser diferente e apresentar um projeto diferente para o país. Passa a impressão que é candidato pra valer. Precisa, no entanto, vencer a desconfiança em torno de seu nome. 

Adicionar comentário

PUBLICIDADE
Blog do Josival Pereira © 2022 . Todos os direitos reservados.