Lançamento feito, o que se pode dizer da candidatura de Pedro a governador?

Por Josival Pereira

Depois de idas e vindas, o deputado Pedro Cunha Lima, finalmente, é lançado candidato a governador por um dos segmentos de oposição na Paraíba. Talvez o grupo mais tradicional da oposição – Cunha Lima -, já que encontra-se nesta posição há duas eleições estaduais (2014 e 2018) e reúne os líderes oposicionistas de maior peso eleitoral. 

Há pelo menos mais dois aglomerados de oposição, mas sem a importância histórica do PSDB de Pedro. O PT da Paraíba, na atual fase, recebendo as filiações do ex-governador Ricardo Coutinho e do prefeito Luciano Cartaxo, até pode se constituir numa força respeitável da oposição, disputando as eleições com chances, mas ainda não pode ser comparada à oposição que o PSDB ocupa por integrar os últimos governos estaduais. 

Outro grupo de oposição, certamente, reunirá os bolsonaristas, mas existem facções dispersas e ainda não existem candidaturas mais consolidadas, embora o apresentador Nilvan Ferreira (PTB) já tenha apresentado seu nome e, mais recentemente, o deputado Cabo Gilberto anda dizendo que também é candidato a governador. 

O que se pode dizer da candidatura de Pedro neste contexto?

Registre-se, inicialmente, que a família Cunha Lima constitui uma força política que não pode ser desconsiderada. Desde 1990, a família disputa eleições majoritárias na Paraíba, ora concorrendo diretamente ao governo, ora ao Senado ou outro cargo importante. 

O poeta Ronaldo Cunha Lima foi eleito governador em 1990, senador em 1994, o grupo disputou as convenções do PMDB em 1998 com o governador Maranhão, Cássio se elegeu governador em 2002 e se reelegeu em 2006, foi decisivo na vitória de Ricardo em 2010 e indicou o vice-governador (Rômulo Gouveia), disputou o governo em 2014 e foi candidato a senador em 2018. Não é pouco. Há muito poder nesse pedaço de história político-eleitoral. 

O problema da candidatura de Pedro talvez sejam as dúvidas criadas ao longo dos últimos meses. Acabou gerando certa descrença. Diferentemente do voluptuoso desejo externados por Ronaldo e Cássio de serem governador, Pedro se apresenta com timidez e, por isso, semeia dúvidas que estão atrapalhando a consolidação do projeto do PSDB. Vai precisar provar que efetivamente é candidato pondo o time em campo. O jogo é de campeonato. 

O PSDB ainda é a força de oposição com maior capilaridade no Estado e o grupo Cunha Lima ainda é o que dispõe de mais prestígio. Por isso, talvez não seja difícil que, se tiver vontade e boa estratégia, Pedro vire o principal candidato de oposição na Paraíba.

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