Operação da PF contra Ciro teria objetivo de evitar derrota de Bolsonaro no 1º turno

Por Josival Pereira

Embora meio atravessado, as duas pesquisas nacionais de intenção de votos divulgadas nesta sexta-feira – Datafolha e CNT (Confederação Nacional dos Transportes) – podem jogar luzes ou explicar a operação da PF (Polícia Federal) contra o ex-ministro Ciro Gomes. 

Existem, nos bastidores da política, duas ou três hipóteses sobre as responsabilidades objetivos da operação. 

Na primeira, o presidente Jair Bolsonaro é responsabilizado diretamente. Seria resultado do aparelhamento da PF e do autoritarismo do atual governo. O próprio Ciro Gomes e o irmão, senador Cid Gomes, acusaram o presidente. Houve solidariedade de lideranças políticas de diversos matizes ideológicos e em todas aparecem atribuições a Bolsonaro. 

Assim, sem justificativas, fica difícil de acreditar. O que Bolsonaro ganharia com uma operação estranha contra Ciro Gomes, relativa a uma delação premiada de 2013, momento em que o candidato do PDT à presidência da República nem exercia cargos públicos?

Corre também nos bastidores a sugestão de que a operação teria sido tramada por delegados que defendem a candidatura do ex-juiz Sérgio Moro e a operação Lava Jato. 

Os ditos delegados já estariam rompidos com o governo Bolsonaro e, internamente, estariam agindo à revelia da direção da PF. Além de “queimar” o governo Bolsonaro, a operação teria o objetivo efetivamente de prejudicar Ciro para ajudar o ex-juiz Sérgio Moro. 

Aqui também faltam elementos que possam dar credibilidade à hipótese, especialmente a informação de uma suposta rebelião na PF. Não há notícias sobre essa insurreição. 

Mas Ciro Gomes, um dos pré-candidatos à presidência da República, foi alvo de uma estranha operação da PF e tudo leva a crer que se trata de uma armação política. O que estaria, então, por trás da operação e o que as pesquisas têm a ver com isso?

A terceira hipótese coloca novamente Bolsonaro ou bolsonaristas no polo ativo da ação. O objetivo, porém, não seria destruir Ciro, mas ajudá-lo, transformando-o em vítima e, com isso, criar uma oportunidade para ele subir nas pesquisas e sustentar sua candidatura a presidente. 

O problema é que nas pesquisas, a exemplo destas duas últimas, cresce a possibilidade de Lula vencer as eleições no primeiro turno. Como Ciro tira votos de Lula no campo da centro-esquerda, se ele cai ou retira a candidatura, seus votos tendem a migrar para Lula, aumentando as chances de vitória no primeiro turno. A ideia é segurar sua candidatura.

Noutra direção, a candidatura de Ciro também estaria segurando o crescimento de Sérgio Moro nas pesquisas. Da mesma forma, se ele cai ou desiste, pode aumentar as chances de Moro tirar Bolsonaro de um possível segundo turno. Então, Ciro não pode cair mais nem desistir. 

Pode ser apenas uma hipótese, mas não se pode negar que o enredo dessa última narrativa é bem construído e que tem cheiro de trama bem urdida. Com efeito, depois da operação da PF, Ciro ocupou todos os noticiários. Quanto a subir nas pesquisas, o departamento é outro.  

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