Deputados destoam e usam expressões agressivas e de menosprezo contra adversários

Por Josival Pereira

A eleição do governador João Azevedo (Cidadania) acabou gerando um ambiente político na Paraíba menos radicalizado. 

Foram anos de polarização destemperada: a viola contra a pistola, um governador que alveja com tiros um ex-governador, uma confusão num clube em Campina Grande que se prolonga por pelo menos 10 anos e um período em que a promessa de líder forjado nas lutas sociais se transformou numa era de ataques desmedidos só comparados ao tempo do velho coronelismo. 

A Paraíba perdeu muito com as disputas políticas. Seus gestores e líderes esqueceram o Estado para garantir, no grito, seus espaços de poder. Foram quase três décadas sem discussão consequente de projetos de desenvolvimento econômico-social. 

No período, a Paraíba assistiu aos Estados do Nordeste ganharem grandes projetos e obras estruturantes. Portos, aeroportos, estaleiros, ferrovias, siderúrgicas, montadoras, rodovias, pontes e diversos outros grandes projetos foram implantados em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão e Bahia. Sem unidade política mínima e sem projetos concretos, a Paraíba ficou chupando dedos.

A Paraíba ainda não se recuperou e também ainda não dispõe de unidade e consciência política para conceber, apresentar e defender um grande projeto de desenvolvimento. Mas está mais apaziguada. Já é possível perceber que os políticos das mais novas gerações conversam entre si e são capazes de, pelo menos, repartirem os recursos das emendas parlamentares sem muita briga. O ambiente é propício para avançar. 

O estilo não beligerante do governador João Azevedo ajuda na composição de um ambiente menos tóxico na política, embora não se possa desconhecer que existe muita efervescência nos bastidores. Talvez pelo fato de João não ser um político de carreira e não ter um partido, grupo ou coletivo desejando se perpetuar no poder.

Entretanto, dois fatos, nos últimos dias, arranharam o ambiente de aparente urbanidade política. O deputado Lindolfo Pires disse que o governo iria dar uma “pisa” no deputado Cabo Gilberto se ele for candidato a governador. Pires repetiu a linguagem agressiva do ex-governador Ricardo Coutinho, de quem foi aliado. Remete aos tempos mais antigos em que os coronéis resolviam suas diferenças no chicote. 

Outro deputado da base do governo, Hervázio Bezerra, menosprezou o possível candidato a governador Pedro Cunha Lima, considerando-o “fraco” e “sem musculatura” para enfrentar o governador. Não precisava. Coisa de modelo retrô de se fazer política. Não se discute ideias nem projetos. Jogo bruto. Atinge-se logo a canela do adversário.

A conjuntura oferece um horizonte de renovação. A Paraíba precisa avançar, não retroceder.  

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