Eleições no Chile podem mudar mapa político na América Latina

Por Josival Pereira

Na América Latina, dois países são palco, neste domingo, de eleições gerais. Pelo menos uma delas tem potencial para mudar o mapa político da região. Os eleitores estão indo às urnas no Chile e na Venezuela. 

Na Venezuela, o regime autoritário de Maduro, que tenta segurar o chavismo depois de 20 anos da tomada do poder, faz acenos para a normalidade, embora a oposição denuncie muitas restrições às liberdades democráticas. 

De qualquer forma, dois detalhes marcam as eleições atuais. Um é que a oposição mudou de tática, abandonou o boicote às urnas que fazia desde 2018 e vai disputar o poder em 23 Estados, 355 prefeituras e cadeiras na Assembleia Nacional. A ideia é que é melhor dividir o poder local do que entregar tudo a Maduro. 

O outro detalhe é que o regime está permitindo a presença de observadores de cerca de 100 organismos internacionais. O fato é tido como um apelo desesperado de Maduro para romper o isolamento. A Venezuela está afundada numa crise que levou mais de 90% da população à pobreza.

A mais nova esperança na Venezuela é que, com a oposição ocupando importantes espaços de poder a partir das eleições de hoje, a ditadura possa ser corroída por dentro.   

As eleições na Venezuela são importantes para dentro, mas o pleito no Chile, onde ocorre a disputa em primeiro turno para a Presidência da República, está sendo considerado pelos cientistas e analistas políticos fundamental para o futuro da democracia da América Latina. 

As pesquisas, encerradas há 15 dias, conforme a lei local, indicam claramente que haverá um segundo turno e que este será disputado entre José Antonio Kast (foto) e Gabriel Boric. O primeiro representa a direita radical, conservadora e prenuncia retrocesso nas liberdades democráticas, se o programa de governo apresentado for implementado. O segundo é considerado representante da esquerda pura (ou extrema esquerda, conforme os termos da campanha) e prenuncia mais avanços nas liberdades democráticas e conquistas sociais. 

Kast defende o legado da ditadura de Pinochet e é denominado de “Bolsonaro polido” por ter discurso mais contido e não chamar palavrões. Boric tem apenas 35 anos e vem do movimento estudantil e das lutas sociais. 

Para os cientistas, uma vitória de Kast vai influenciar o movimento conservador na região e, ao contrário, a vitória de Boric indicaria que os ventos estariam soprando em favor da esquerda.  As influências se fariam notar nas eleições futuras na América Latina. 

Mais um detalhe para análise: os dois principais candidatos no Chile são outside, vêm de fora do sistema partidário tradicional. Não está sendo fácil entender  a cabeça do eleitor. 

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