Existe um povo que a bandeira empresta…

Existe um povo que a bandeira empresta…
Antes que o dia acabe, vale lembrar o poeta Castro Alves:
“(…) E existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!
Meu Deus!
Meu Deus, mas que bandeira é esta
Que impudente na gávea tripudia?!
Silêncio, Musa! Chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no seu pranto
Auriverde pendão de minha terra
Que a brisa do Brasil beija e balança
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança
Tu, que da liberdade após a guerra
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha
Que servires a um povo de mortalha!
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu na vaga
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo
Andrada! Arranca este pendão dos ares!
Colombo! Fecha a porta de teus mares!”
(Parte final da poesia Navio Negreiro, composta por Castro Alves em 1870).

Adicionar comentário

PUBLICIDADE
Blog do Josival Pereira © 2022 . Todos os direitos reservados.