Autoridades e população baixam a guarda e a taxa de covid volta a subir na PB

Por Josival Pereira

O secretário de Saúde do Estado, Geraldo Medeiros, tem ocupado boa parte de seu tempo nos últimos dias a tentar convencer prefeitos, secretários de Saúde e líderes de diversas categorias profissionais a esperarem mais um pouco para ampliar a liberação de atividades e relaxar ao máximo as restrições impostos na pandemia, incluindo o uso de máscaras. 

Parece ter sido escutado nas últimas horas. O prefeito de Cabedelo, Victor Hugo, cancelou as festas de fim de ano e de aniversário da cidade. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, decidiu segurar por mais alguns dias a ampliação de acessos a eventos e shows. 

Um argumento tem sido decisivo: a taxa de retransmissão do coronavírus voltou a ficar acima de 1 na Paraíba e chega a ser preocupante em alguns municípios. Em Patos, está em 1,57; em Cabedelo é de 1,13; João Pessoa, 1,08; Cajazeiras, 1,07, e Campina Grande, 1,05. Significa que o contágio está em estágio crescente e, portanto, preocupante. 

Para cada 100 contaminados em Patos, outros 157 podem ser infectados. Em Cabedelo seriam 113, 108 em João Pessoa, 107 em Cajazeiras e por aí vai. Na Paraíba, para cada 100 infectados, outros 101 são atingidos. 

Os setores que mais pressionam pela liberação praticamente total das restrições são o de eventos, turismo, bares e restaurantes, o esportivo e gestores públicos, que querem porque querem promover as festas de fim de ano. Talvez estejam montados na ideia de que quase tudo já voltou ao normal. Então, chegou a hora de liberar geral. Mas não é bem. 

O retorno da pandemia com certa força na Europa nas últimas semanas não foi causado apenas pela resistência de parte da população em se vacinar. Na Alemanha, a cobertura vacinal completa (duas doses) chega ao 67% e, mesmo assim, o país foi atingido pela quarta onda da pandemia. 

Dois outros fatores também foram determinantes: a imunidade em queda entre os primeiros vacinados e e relaxamento com máscaras e distanciamento social com o fim das restrições. 

No Brasil, a cobertura completa de vacinação só chegou a 63,5% da população. Na Paraíba, o índice é de 51,31%. São números que, comparados com os países onde a pandemia voltou, não autorizam aventuras. 

Cientistas ao redor do mundo estão uma frase indiscutível: não é hora de baixar a guarda. Estão querendo relaxar tudo no fim do ano e podem perder o carnaval. Ou o ano todo. 

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