Visita de Dória serviu para revelar que o grupo Cunha Lima perdeu Romero para 2022

Por Josival Pereira

O PSDB da Paraíba representa pouco na disputa nacional (prévias) para indicação do possível candidato do partido à Presidência da República. Seria algo em torno de 4,7% dos delegados com direito a voto. Como está dividido, não deverá ser decisivo. Mesmo assim, o governador de São Paulo, João Dória, foi recebido com festa durante quase dois dias.

Cabe, então, a pergunta: se não é decisivo, para que serviu a visita de Dória à Paraíba?

Para Dória, somar alguns votinhos; para o PSDB, se aproximar do tucano com maior estrutura de poder (governo de São Paulo; e, para a política da Paraíba, serviu para desvendar o grau de relacionamento do ex-prefeito de Campina Grande com o grupo Cunha Lima, considerado aqui como o esquema mais tradicional de formação da legenda tucana e da oposição ao governador João Azevedo. 

A visita de Dória serviu para os principais líderes do PSDB revelarem abertamente que perderam Romero para as eleições de 2022.   

A imprensa, atenta ao principal movimento político dentro do Estado, abordou os líderes do grupo Cunha Lima sobre o problema. O deputado Pedro Cunha Lima disse que iria voltar a conversar com Romero sobre a candidatura ao governo. Disse não acreditar em sua aliança com o governador João Azevedo, mas sua fala revela que ele não tem conversado com o ex-prefeito campinense. Comprova distanciamento, quebra de cumplicidade política. 

Quem conhece como funcionam os bastidores de um partido ou de um esquema político, sabe perfeitamente que o esfriamento de relações é sinal evidente de desligamento de compromissos políticos. Se Pedro não tem conversado com Romero, é porque o clima de companheirismo foi quebrado. Romero se afastou e não foi imediatamente procurado.

O deputado Ruy Carneiro, ex-presidente estadual do PSDB e pessoa da intimidade do grupo Cunha Lima, foi na mesma pegada. Disse ainda acreditar na candidatura de Romero a governador, mas já foi adiantando que o partido terá candidato mesmo assim e insinuando que a oposição pode atrair nomes da situação para disputar o governo do Estado. A imprensa chegou a falar de uma chapa com Pedro, Efraim Filho e uma indicação de Veneziano. A admissão de Ruy é prova de que perderam o contato com Romero.

A deputada Camila Toscano, cuja família sempre foi do núcleo Cunha Lima, reagiu na base da falsa (in)credulidade (“Não quero crer que Romero esteja fazendo este movimento”), que é aquela que se expressa quando os fatos já estão consumados e só falta o anúncio final. 

Pedro, Ruy, Camila e outros Cunha Lima vão conversar com Romero. Vão pedir para ele ser candidato a governador. Sim, mas qual a perspectiva de vitória? Diante da conjuntura, muito remota. Sim, e, perdendo, Romero vai fazer o que depois das eleições? Pedro, Ruy, Camila, provavelmente, terão seus empregos garantidos. E Romero vai esperar pelas eleições de 2026 ou brigar com o prefeito Bruno Cunha Lima para disputar em 2024?

Veja-se que existem questões muito práticas a se resolver e o afastamento de Romero talvez simbolize que ele já percebeu que não tem vaga no seu velho time em 2022. 

Foto: Romero Rodrigues e Pedro Cunha Lima

Adicionar comentário

PUBLICIDADE
Blog do Josival Pereira © 2021 . Todos os direitos reservados.