Centro-esquerda derrota populismo da direita nas eleições municipais na Itália

Por Josival Pereira

A semana que encerrou, entre muitos acontecimentos de repercussão em vários setores da atividade humana no Brasil e no mundo, foi marcada por um fato político de menor ressonância, mas que merece atenção. Foi o resultado das eleições municipais na Itália, cujo segundo turno foi realizado na segunda-feira (18/10). 

Como vem ocorrendo em diversos países da Europa, a social-democracia, considerada uma força de centro-esquerda no velho mundo, venceu as eleições, com destaque para as cinco maiores cidades italianas (Roma e Turim, no segundo turno; Milão, Bolonha e Nápoles, já no primeiro turno). 

Partidos que cultivam a ideologia do Estado social, derrotados impiedosamente há mais de duas décadas, já voltaram ao poder em oito das 15 países da União Europeia, tendo as recentes eleições na Alemanha como um dos grandes destaques. 

Na Itália, o resultado das eleições expressa ainda outro significativo fato para a democracia mundial. Os social-democratas venceram o populismo de direita, representado pelo Movimento 5 Estrelas (M5S), que surgiu feito um furacão em 2009, liderado pelo comediante Beppe Grillo, e arrebatou o poder nacional em pouquíssimo tempo. 

O M5S nasceu como um movimento contra o sistema político, com bandeiras extremistas e conservadoras, adotadas pela direita radical, algumas delas muito próximas do bolsonarismo no Brasil, forma como a ultradireita tem se apresentado no mundo.    

As eleições municipais italianas confirmam o que vem acontecendo em outras eleições mundo afora, que é o encolhimento das forças da direita radical, desde a derrota de Trump nos Estados Unidos. Perdeu feio nas eleições regionais na França e encolheu na Alemanha, entre outros países. 

É verdade que a ultradireita veio para ficar. A neta do ditador Benito Mussolini, Rachele Mussolini, foi a vereadora mais votada em Roma. Ainda assim, a tendência parece ser de uma reserva bem menor de poder para a extrema-direita. 

Agora, é preciso esperar para ver como a ultradireita vai passar pelas eleições no Chile, onde começou a crescer nas pesquisas (ameaça o segundo colocado). Pode ser um balizador para as futuras eleições no Brasil, México e Argentina.

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