Governador afere pulso político dos deputados e avalia fidelidade

Por Josival Pereira

A reunião do governador João Azevedo com sua base aliada na Assembleia (presença de 22 deputados e duas ausências justificadas) serviu para muitos objetivos. 

Um deles, talvez o mais explícito, foi o de municiar os parlamentares para os embates na Assembleia com a volta das sessões presenciais na próxima semana. O governo listou todas suas ações, a maioria delas executadas durante a pandemia e a dispersão da base por ausência das sessões no Legislativo. Uma atualização se fazia necessário. 

Esse objetivo parece ter sido cumprido bem. Alguns parlamentares não sabiam como defender o projeto de reeleição do governador João Azevedo e saíram animados do encontro desta segunda-feira. 

Outro objetivo foi atender aos deputados nas reclamações de que o governo não se aproximava, não buscava um relacionamento mais estreito e até parecia de difícil acesso em alguns setores. Muitos parlamentares se queixavam do distante relacionamento político do governador, apesar da presença de obras e serviços em seus municípios. 

O governo sempre se desculpava com o argumento da pandemia, mas, pelo visto, há uma evidente mudança de postura e a reunião seria o marco de um novo relacionamento. 

O governo apresentou seu trabalho e estratégia; os deputados apresentaram seus pleitos e suas sugestões, e encaminhamentos foram pactuados. Como há muito não havia reuniões desse porte, o vazio pode ter sido preenchido. 

Mas não era somente trabalho. Havia o objetivo da observação. O governador João Azevedo parece ter aproveitado a reunião para também passar em revista as tropas aliadas olhando no olho de cada um. Não estava verbalizado, mas algumas escaramuças políticas nos últimos meses teriam gerado um certo clima de desconfiança e a melhor solução para cismas é efetivamente a conversa direta, o que foi feito.

Porta-vozes do governo e da Assembleia garantem que pouco se discutiu política no evento. Não era para isso. O encontro era institucional, de trabalho. Mas não tenham dúvidas: um dos principais objetivos tinha natureza política. Depois do aparecimento de algumas candidaturas a cargos na chapa majoritária e do intenso jogo partidário depois do fim das coligações, o governador queria aferir o pulso da bancada, que é composta por deputados de vários partidos. Parece ter sentido firmeza. Não sentiu sinais de motim, dissidências nem rachas. A banda está pronta. O maestro pode comandar a retreta.   

Felipe Leitão

Um dos momentos fortes na reunião do governador João Azevedo com a bancada foi uma fala do deputado Felipe Leitão. Licenciado para ser Secretário em João Pessoa, ele nem precisa se fazer presente. Foi e jurou fidelidade ao governador. O pai de Felipe, vereador Mikika Leitão (MDB), defende, com vigor, a candidatura do senador Veneziano Vital do Rêgo a governador.

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