Novos movimentos políticos e as chances de quebra da polarização Lula-Bolsonaro

Por Josival Pereira

A disputa para a Presidência da República em 2022 será efetivamente polarizada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula ou ainda existem chances de surgir outro ou outros candidatos com possibilidade de atrair contingentes de eleitores capazes de alterar a correlação de forças políticas que se apresentam na atual conjuntura?

As inúmeras investidas do ex-ministro Ciro Gomes e o sem números de tentativas de emplacar candidatos da terceira via indicam fortes barreiras para a quebra da polarização. 

Os dois principais líderes dos polos políticos estabelecidos – Bolsonaro e Lula – atuam fortemente para a manutenção da polarização, um modo de fazer política que alimenta grupos mais radicais em todo mundo. 

A forma mais fácil de estabelecer a polarização tem sido a de separar o mundo entre direita e esquerda como se não houvesse vida inteligente além desses dois rótulos historicamente superados, mas que tem servido para ocupar os espaços vazios de políticos mais preparados para o enfrentamento do mundo moderno, mas repleto de desigualdades. 

Além disso, o contexto de polarização ocorre no Brasil porque Lula e Bolsonaro representam os projetos políticos mais vivos na memória da população. Lula foi presidente outro dia. Bolsonaro está no poder. A conjuntura de ressurgimento da pobreza extrema reaviva a memória do governo Lula, mas o populismo conservador mantém Bolsonaro vivo. 

Mas, afinal, ainda é possível a quebra dessa polarização?

Existem três movimentos políticos que merecem atenção, com destaque para a realização das prévias internas para a escolha do candidato do PSDB à presidência do PSDB. 

Uma vitória do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, sobre João Dória (governador de São Paulo) vai gerar um fato novo capaz de produzir mudanças nas eleições presidenciais. Leite é agregador e tem perfil para atrair o eleitor que não deseja votar em Lula nem em Bolsonaro. Pode se constituir na grande novidade de 2022. 

Outro movimento é a possível candidatura do ex-juiz Sérgio Moro. A PT parece estar errando na mão. Não se contenta em livrar Lula. Quer destruir Moro e ele parece disposto a defender sua biografia. Se se candidatar, vai trazer o debate sobre corrupção para a campanha. Não será bom para Lula nem para Bolsonaro. Pode surpreender. 

O terceiro movimento parece uma loucura. São as trombadas de Ciro Gomes em Lula e no PT. Parece ter poucas chances de êxito, mas é calculado e baseado em estudos. O objetivo seria atrair o eleitor que votou em Bolsonaro por rejeitar o PT, mas está arrependido. 

De todos esses movimentos, porém, o de maior potencial é o que pode advir das prévias do PSDB. Então, olhos e ouvidos voltados para novembro.

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