Ricardo sai do PSB pela porta de trás e de forma melancólica

Por Josival Pereira

Sempre que, de alguma maneira, se pronunciou pela imprensa da Paraíba, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, nunca chamou a atenção. Parecia titubeante.  

Lá atrás, em 2009, atuou para minimizar impactos de denúncias de Nadja Palitot de perseguição por parte do então prefeito Ricardo Coutinho. Nadja havia organizado o PSB paraibano com a orientação do governador Miguel Arraes e depois abriu portas para Ricardo, com problemas no PT, se filiar, em 2004, para ser candidato a prefeito.

Nem em 2019, quando Ricardo tomou o comando do PSB de Edvaldo Rosas e praticamente expulsou os filiados mais próximos ao governador João Azevedo, Siqueira se fez impor. Veio e acomodou Ricardo, tentando apaziguar os desabrigados da direção. 

Mas tudo muda, como diz a canção. O presidente nacional socialista, Carlos Siqueira, surpreendeu, nesta terça-feira, ao apresentar, em entrevistas, a narrativa do desenlace de Ricardo dos quadros do PSB na Paraíba. 

Foi quase eloquente desfilando os problemas gerados por Ricardo dentro do partido:

“O PSB jamais deu um único motivo para ele se desfiliar do partido. Quando ele saiu do governo, eu tinha cinco candidatos para  Fundação João Mangabeira, ele reivindicou e colocamos ele lá. Ele brigou com o governador João e ficamos com ele. Decidiu ser candidato de última hora para prefeitura de João Pessoa e recebeu mais de um milhão do partido. Rompeu com Veneziano e ficamos com ele. Agora, tem problemas com Gervásio, que é deputado federal e nossa prioridade”. 

Faltou anotar que o PSB elegeu oito deputados estaduais e deverá perder quase todos, que elegeu 58 prefeitos e 399 vereadores e que acabará com muitos poucos. Tudo por causa do rompimento entre o ex-governador e o atual. 

Na narrativa de Siqueira, foi possível ouvir que a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffamnn, havia telefonado consultando-o sobre se teria algum problema em Ricardo Coutinho se transferir para o PT e ouvir que não havia nenhum empecilho, estava livre para se ir. 

O tom de Carlos Siqueira era de alívio. Um dia a casa cai, como diz outra canção. Ricardo sai do PSB pela porta de trás e de forma melancólica.

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