Pesquisa aponta líderes políticos brasileiros com elevados índices de imagem negativa

Por Josival Pereira

Os políticos brasileiros continuam brincando com o perigo que tem sido o crescente acúmulo de rejeição da população.

Uma pesquisa do instituto Atlas Político, publicada pela versão online do jornal El País, mostra um quadro assombroso da imagem dos nomes que estão se apresentando como possíveis candidatos à Presidência da República, o que representa, sem dúvidas, um retrato da situação nacional. Se os líderes vão mal, imagina o resto. 

Ao invés da tradicional pergunta “em qual destes candidatos você não votaria de jeito nenhum”, usada para avaliar a rejeição política, o Atlas apresentou um quadro com 13 nomes com a questão “Você tem uma imagem positiva ou negativa destes nomes?”. 

O resultado é que, seja quem for o eleito em 2022, o Brasil terá um presidente com uma imagem profundamente negativa. Mesmo os nomes que ostentam baixa opção de voto, ou seja, com poucas chances de se eleger, aparecem com elevada carga negativa. 

No momento, o presidente Jair Bolsonaro é quem aparece com índice de imagem negativa mais elevado (62%), o que se explica, segundo a pesquisa, pelos erros na gestão da pandemia e suspeitas de corrupção na compra de vacinas, mas também pelos problemas da vida cotidiana (desemprego, elevação dos preços de produtos e serviços, etc.).

Mas os índices negativos são elevados para todos. O governador João Dória e o ministro Paulo Guedes, avaliados pelo Atlas, aparecem com uma imagem negativa de 56%. O ex-juiz Sérgio Moro com 55%, Lula com 54%, Fernando Haddad com 52% e Ciro Gomes com 50%. O apresentador José Luiz Datena já entra na política com imagem negativa de 47% da população e o mais desconhecido dos candidatos, o governador Eduardo Leite (RS), tem imagem negativa de 37%. 

A ideia de que a forte polarização da política nacional força os índices negativos de imagem, resultado da repulsa automática dos adversários, pode se sustentar para os líderes nas pesquisas, mas não como explicação para o fenômeno, porque a reprovação é quase generalizada. 

O que a pesquisa sugere, na verdade, é que os políticos brasileiros têm muito pouca credibilidade na atual quadra da história nacional. O país está quase vivendo a máxima: é político, não presta. Pior é que não se percebe muitos esforços de mudança.  

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