Irã e Síria realizaram eleições para presidente, mas são democracia ou ditadura?

Josival Pereira

O Irã realizou sua eleição para presidente da República na sexta-feira. O eleito, com grande maioria, foi o ultraconservador Ibrahim Raissí, que era o Chefe do Judiciário. 

A imprensa internacional registrou que Raissí foi um dos sete candidatos escolhidos pelo Conselho dos Guardiões da Constituição para disputar o pleito. No processo de escolha, 600 candidatos se inscreveram, 40 foram selecionados e apenas sete escolhidos. Entre os sete, cinco eram ultraconservadores e dois reformistas. Detalhe: a peneira é finíssima.  

Outra eleição recente foi na Síria, há três semanas, sem muito destaque na imprensa. O presidente Bashar Al-Assad foi reeleito com 95,1% dos votos para mais um mandato. Ele está no poder desde o ano 2000, quando assumiu o lugar do pai. 

Dois outros candidatos teriam disputado as eleições. Um vice-primeiro ministro e um presidente de um pequeno partido. A oposição não participou das eleições por causa das regras autoritárias. Nenhum observador internacional acompanhou o pleito.

Dada às circunstâncias conhecidas dos regimes políticos de Irã e Síria, vale questionar: essas duas eleições significam vida democrática nesses dois países?

Talvez seja interessante trazer o exemplo da Venezuela para o debate. O coronel Hugo Chávez tentou um golpe direto, mas se estabeleceu no poder através de eleições. Ainda hoje, seu sucessor se mantém no poder por meio de eleições. 

Democracia ou ditadura?

Sempre vai haver polêmica. Ultradireitistas são capazes de defender que há plena democracia no Irã, assim como muitos esquerdistas verão democracia na Venezuela. 

Mas o problema é mais grave. Em todos os quadrantes do mundo as democracias estão ameaçadas. Não por tanques de guerra ou fuzis. O processo de subversão das democracias ocorre pelo enfraquecimento das instituições por grupos autoritários que chegam ao poder através de eleições e depois as manipulam para permanecer no poder.   

O livro Como as Democracias Morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, descreve em profundidade como se mata e morrem as democracias. Fácil entender: “(…) a democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes de uma revolução ou de um golpe militar; agora, a escalada do autoritarismo se dá com o enfraquecimento lento e constante das instituições críticas – como o Judiciário e a imprensa – e a erosão gradual de normas políticas de longa data”. 

Reparando bem, a democracia sofre tentativa de golpe todos os dias.

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