Divergências entre decretos são inexplicáveis e desorientam a população

Josival Pereira

O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, editou Medida Provisória (MP) que permite suspender ou alterar feriados durante o período de pandemia. Sobrou para o São João. 

Consolidou uma mudança de posição menos de 24 horas depois de ter anunciado que manteria o feriado, contrariando determinação de um decreto do Governo do Estado. 

Confusão em cima de confusão. 

Começa que o Estado não tem competência legal para tratar desses feriados religiosos. Muitos menos por meio de decreto. Abusa da força.  

Depois, têm sido inexplicáveis os repetidos desencontros dos decretos da Prefeitura de João Pessoa com as medidas do Governo do Estado. Abusa da polêmica.  

Difícil entender que tenham ocorrido razões de ordem sanitária para justificar mudança tão brusca: primeiro, a gestão da Capital decide manter o feriado de São João e, em seguida, menos de 24 horas depois, descobre que não deveria permitir o feriado. Inexplicável. 

Por que o alinhamento de posições não é feito previamente e evita-se o ambiente de dúvida? Por que gestões tão aliadas atuam batendo cabeça? 

A impressão que vai ficando, decretos após decretos, é que a ciência tem importado menos que as injunções políticas e que as divergências estão desorientando a população. 

Os números indicam um agravamento da situação da pandemia, mas as decisões são, contraditoriamente, quase sempre no sentido de mais relaxamento das atividades. Parece que a ordem é contemporizar, dar um jeitinho. 

Cadê os cientistas dos comitês da pandemia que não falam mais?

Talvez o cientista Miguel Nicolelis tenha a resposta para tantos questionamentos e para tanta incoerência nas ações e medidas de enfrentamento ao coronavírus: “É como se o Brasil tivesse desistido de combater a pandemia”. 

Pelo visto, a Paraíba e João Pessoa também.

Adicionar comentário

PUBLICIDADE
Blog do Josival Pereira © 2022 . Todos os direitos reservados.